Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL) - Foto: Ruy Castro / Ascom SGPR.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), afirmou nesta quinta-feira (23), em João Pessoa, que o fim da escala de trabalho 6×1 já é uma demanda consolidada da sociedade brasileira e defendeu a continuidade da tramitação da proposta no Congresso Nacional. A declaração foi dada durante a abertura da feira de cidadania “Governo do Brasil na Rua”, realizada na ECIT Mestre Sivuca, no bairro de Mangabeira, evento que contou também com a presença do governador Lucas Ribeiro (PP).

Ao comentar o avanço da proposta na Câmara dos Deputados, o ministro afirmou que a pauta reflete reivindicações dos trabalhadores e mencionou impactos na saúde e na rotina das famílias. “O fim da escala 6×1 é uma pauta da sociedade brasileira. Ela veio do trabalhador que está exausto, que muitas vezes não consegue ter descanso adequado, que enfrenta problemas como burnout, depressão e ansiedade, além de não ter tempo para a família. Isso atinge especialmente as mulheres trabalhadoras, que no único dia de folga ainda acumulam tarefas domésticas”, disse.

Boulos também afirmou que o modelo considerado mais adequado seria o de cinco dias de trabalho por dois de descanso e destacou que há expectativa de avanço da proposta no Legislativo. “O 5×2 é o ideal. Pelo menos dois dias de descanso é o mínimo. Essa é uma pauta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já abraçou e o governo federal também. A expectativa é que, dentro do prazo de tramitação da urgência constitucional, o projeto avance na Câmara, siga ao Senado, seja sancionado e se torne um direito dos trabalhadores”, afirmou.

O ministro também comentou discussões sobre possíveis impactos econômicos da mudança na jornada de trabalho e afirmou que não há justificativa para compensações a setores empresariais. “Não há razão para compensação a grandes empresários. Já existem incentivos fiscais no país. Há estudos que indicam que o impacto no faturamento é semelhante ao observado em outras políticas já implementadas, como o aumento real do salário mínimo. Não houve perda de empregos nem fechamento de empresas. O Brasil continua crescendo, mas esse crescimento precisa incluir o trabalhador”, declarou.

As declarações ocorrem um dia após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovar o parecer favorável à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1. O relatório, aprovado de forma simbólica, reconhece a admissibilidade da proposta, que segue agora para análise de uma comissão especial antes de ir ao plenário.

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