A desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho da Paraíba, Herminegilda Leite Machado, comentou a possibilidade de extinção da escala de trabalho 6×1 no Brasil e destacou os impactos do modelo na saúde e na qualidade de vida dos trabalhadores.
Ao abordar o tema, a magistrada ressaltou que sua análise é de caráter acadêmico, evitando vincular a posição ao tribunal. Ainda assim, defendeu a importância de discutir a relação entre jornada de trabalho e bem-estar.
Segundo ela, a redução da carga semanal pode contribuir para melhorar a saúde física e mental dos trabalhadores, além de refletir diretamente na produtividade. “Quando você tem um trabalhador saudável e satisfeito, a produtividade é bem maior”, afirmou.
A desembargadora destacou que jornadas extensas podem gerar ambientes de trabalho prejudiciais, com reflexos como aumento do absenteísmo e queda no rendimento.
De acordo com Herminegilda, trabalhadores com mais tempo para descanso e vida pessoal tendem a apresentar melhor desempenho, enquanto ambientes desgastantes contribuem para afastamentos e faltas frequentes.
Ela também ponderou que, embora empresas manifestem preocupação com impactos econômicos, o debate não deve se limitar ao lucro. “Não se pode pensar somente em lucro. Uma equipe satisfeita produz mais e ajuda no crescimento da empresa”, pontuou.
A fala ocorre em meio à discussão no Congresso Nacional sobre mudanças na jornada de trabalho. O deputado Paulo Azi (União-BA) apresentou parecer favorável ao avanço de propostas de emenda à Constituição (PECs) que tratam do tema na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.
Entre as propostas em análise estão:
a PEC da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que prevê jornada de quatro dias por semana;
e a proposta do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que reduz a jornada para 36 horas semanais de forma gradual.
Atualmente, a legislação brasileira permite jornada máxima de 44 horas semanais.
A votação do relatório foi adiada após pedido de vista de parlamentares, e a análise deve ocorrer em até 15 dias.
O debate sobre o fim da escala 6×1 também se conecta a discussões do governo federal, que estuda mudanças na jornada de trabalho como parte de uma agenda trabalhista mais ampla.
A fala da desembargadora reforça o argumento de especialistas que defendem a necessidade de equilíbrio entre produtividade econômica e qualidade de vida dos trabalhadores.
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