A Câmara dos Deputados voltou a ser palco de tumulto e pressão política nesta quarta-feira (10), um dia depois da cena que marcou o plenário: a retirada forçada do deputado Glauber Braga (PSOL–RJ) por agentes da Polícia Legislativa. O episódio desencadeou uma onda de mobilização de apoiadores, que ocuparam o Anexo 2 da Casa com bandeiras, faixas e o coro que se repetia pelos corredores: “Motta sai, Glauber fica”, em referência ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos–PB).
A manifestação ocorre às vésperas da sessão que deve decidir o destino político do psolista. Motta pautou para esta quarta a votação dos processos de cassação de Glauber e da deputada Carla Zambelli (PL–SP). Já o caso de Alexandre Ramagem (PL–RJ) ficou para a semana seguinte.
O protesto que acirrou a crise
A crise ganhou novos contornos na noite anterior, quando Glauber, em protesto contra a inclusão de seu processo na pauta, ocupou a cadeira da presidência da Mesa Diretora. A ação ocorreu instantes antes da sessão que votaria o chamado PL da Dosimetria, proposta que reduz as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros condenados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro.
Imagens feitas no plenário mostram o parlamentar sendo contido e retirado por agentes legislativos enquanto aliados registravam a cena e opositores aplaudiam. Antes da operação, jornalistas foram mandados deixar o plenário, e a transmissão da TV Câmara chegou a ser interrompida por ordem da Mesa, o que gerou críticas de parlamentares e entidades de imprensa.
“O objetivo deles é me calar. Mas eu falarei. Vou usar cada minuto do meu tempo de defesa”, afirmou Glauber nas redes sociais, horas antes da votação. Na noite anterior, ao deixar o plenário, ele disse ter pedido apenas “1% do tratamento” que, segundo ele, Hugo Motta teria dado a deputados bolsonaristas que ocuparam o plenário em agosto para protestar contra a prisão domiciliar de Bolsonaro.
O processo de cassação
Glauber responde por quebra de decoro parlamentar. O processo foi aberto após o episódio de abril de 2024, quando o deputado expulsou com chutes o militante Gabriel Costenaro, do Movimento Brasil Livre (MBL), dentro da Câmara. O caso reacendeu o debate sobre limites da atuação parlamentar e o uso de medidas disciplinares.
A votação está marcada para as 15h55. Se o plenário confirmar a cassação, o deputado perde o mandato imediatamente e fica inelegível por oito anos.
Manifestantes prometem permanecer na Câmara durante toda a sessão, enquanto aliados do psolista articulam uma ofensiva política de última hora. Nos bastidores, o clima é de instabilidade e de forte cobrança sobre a condução do processo.
A quarta-feira deve ser uma das mais tensas da atual legislatura, e pode redefinir o jogo político da esquerda no Congresso.
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