A confusão registrada na Câmara dos Deputados não é apenas mais um episódio lamentável da política brasileira. É o sintoma de um país doente pelo câncer da polarização, um veneno que corrói o debate público, destrói pontes, transforma aliados em adversários e até mesmo amigos em inimigos.

O deputado federal Glauber Braga errou ao tentar ocupar um lugar que não era dele. A direita também errou quando invadiu o plenário para pressionar pela anistia. E Hugo Motta errou ao não agir com firmeza no primeiro episódio. Toda omissão cobra seu preço, e ele chegou.

O resultado foi histórico pela pior razão: jornalistas expulsos, TV Câmara fora do ar e um plenário dominado pela força, não pelo regimento. Nada parecido havia acontecido no país.

E a esquerda, que condenou o 8 de janeiro por dois anos, agora aplaude o seu próprio “8 de janeiro”, celebrando chutes, agressões e a tentativa de Glauber de assumir um poder que não lhe pertence. Incoerência não tem lado, tem conveniência.

A direita também perde o discurso. Não dá para defender “bandido bom é bandido morto” enquanto, ao mesmo tempo, apoia a redução da dosimetria da pena. Na prática, vira “bandido bom é bandido solto”. No fim, os extremos se parecem mais do que admitem.

Enquanto o Brasil real enfrenta problemas, parte da política transforma o plenário em arena. E os únicos que aplaudem esse espetáculo vergonhoso são os que vivem da divisão e lucram com o caos.

A polarização não constrói nada. Só alimenta extremos e intoxica o país.

O Brasil precisa voltar a conversar, discordar e debater sem destruir. Até lá, cenas como a de Glauber sendo arrancado da Mesa sob ordem de Hugo Motta vão se repetir, cada vez piores.

Os extremos estão empurrando o país para um abismo institucional.

E quem ganha com isso? Certamente não é o povo.