O futebol paraibano sempre foi marcado por clubes que ultrapassam as quatro linhas e se confundem com a própria história do estado. Na série Nossa Terra, Nossos Times, o portal Fonte83 revisita a trajetória das agremiações que ajudaram a construir a identidade esportiva da Paraíba, atravessando gerações, resistindo a crises e se consolidando como símbolos de pertencimento, memória e paixão popular.
Fundado em 7 de setembro de 1936 por um grupo de taxistas que se reunia na antiga Praça do Relógio, atual Ponto de Cem Réis, no coração de João Pessoa, o Auto Esporte Clube nasceu popular antes mesmo de ser campeão.
Conhecido como o “Clube do Povo” e representado pelo mascote do macaco, o alvirrubro construiu sua identidade nos campos do centro da capital, arrastando multidões e criando uma ligação direta com as camadas populares da cidade. A origem simples se transformaria em tradição.
O primeiro grande capítulo veio cedo. Em 1939, o Auto conquistou o Campeonato Paraibano de forma invicta, superando adversários como o Treze e o Botafogo-PB. Era o início de uma galeria que colocaria o clube entre os maiores vencedores do estado.
Nas décadas seguintes, o Auto reafirmou sua força. O título de 1956, decidido apenas dois anos depois em série melhor de três contra o Botafogo, e a conquista de 1958 consolidaram o alvirrubro como potência estadual. Em 1987, após 29 anos de jejum, o empate dramático que garantiu o título simbolizou resistência e renascimento.
O Auto Esporte foi desbravador. Em 1959, tornou-se o primeiro clube paraibano a disputar uma competição nacional, a Taça Brasil, abrindo caminhos para o futebol do estado. Em 1993, escreveu mais uma página histórica ao se tornar o primeiro paraibano a vencer uma partida na Copa do Brasil, derrotando o Paysandu Sport Club por 2 a 1 no Estádio Almeidão.
Ainda antes disso, em 1951, realizou sua primeira partida internacional contra a tripulação do navio argentino Punta del Loyola, ancorado em Cabedelo, uma vitória por 5 a 1 que reforçava o espírito ousado do clube.
Os anos 1990 marcaram uma fase competitiva. Em 1990, o Auto confirmou o favoritismo e conquistou o estadual sob o comando do técnico Mineiro. Em 1992, levantou o título no Estádio Amigão, em Campina Grande, mostrando força longe de casa.
No mesmo ano, alcançou a terceira colocação na Série C do Campeonato Brasileiro, uma das melhores campanhas nacionais de sua história. Em 1999, tornou-se o único clube paraibano a realizar excursão à Europa, ampliando horizontes e reafirmando sua tradição.
Em 2011, o Auto voltou a celebrar ao conquistar a Copa Paraíba diante do Treze Futebol Clube. No entanto, os anos seguintes foram marcados por instabilidade esportiva. Em 2025, após retornar à elite como campeão da segunda divisão estadual, o clube enfrentou dificuldades e encerrou o Campeonato Paraibano na 9ª colocação, acumulando seu sexto rebaixamento. Um contraste duro para uma instituição que carrega tanto peso histórico no futebol paraibano.
Quarto maior vencedor do Campeonato Paraibano, o Auto Esporte é mais do que estatísticas. É memória afetiva da capital, é arquibancada popular, é resistência. Entre pioneirismos nacionais, títulos históricos e desafios contemporâneos, o Clube do Povo permanece como parte fundamental da identidade do futebol paraibano, um símbolo de que tradição não se apaga, apenas atravessa fases.
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