Foto: Daniel Vieira / Treze FC

O futebol paraibano sempre foi marcado por clubes que ultrapassam as quatro linhas e se confundem com a própria história do estado. Na série Nossa Terra, Nossos Times, o Portal Fonte83 revisita a trajetória das agremiações que ajudaram a construir a identidade esportiva da Paraíba, atravessando gerações, resistindo a crises e se consolidando como símbolos de pertencimento, memória e paixão popular.

Fundado em 7 de setembro de 1925, o Treze Futebol Clube nasceu da iniciativa de um grupo de amigos esportistas, entusiastas do futebol, que se reuniram em Campina Grande com o objetivo de criar uma nova equipe. Curiosamente, na primeira reunião dos fundadores, o nome do clube ainda não foi definido. A decisão ficou para um encontro posterior, realizado em 20 de outubro daquele ano. Como o grupo era formado por 13 pessoas, ficou estabelecido que o time levaria o nome Treze, em homenagem direta aos seus criadores.

Primeira equipe do Treze, em 1926. – Foto: Arquivo / TFC

Apesar da fundação em 1925, o Treze só entrou em campo pela primeira vez quase um ano depois, em 1º de maio de 1926, quando enfrentou o Palmeiras Sport Club, de João Pessoa, uma das equipes mais relevantes do futebol paraibano naquele período. A estreia foi vitoriosa: triunfo por 1 a 0, com o primeiro gol da história do clube marcado por Plácido Veras, o Guiné.

Dois anos depois, o Galo da Borborema ultrapassou as fronteiras do estado pela primeira vez. Em 1928, disputou a Taça Paissandu, competição interestadual contra o Paissandu, do Rio Grande do Norte. O Treze venceu por 3 a 1 e conquistou o título, registrando seu primeiro troféu fora da Paraíba.

Identidade, cores e o Galo

Desde a fundação, o Treze adotou o preto e o branco como cores oficiais, tradição que permanece até hoje. A camisa listrada verticalmente em preto e branco, acompanhada de shorts e meiões pretos, se tornou um dos símbolos mais reconhecíveis do futebol paraibano.

Em ocasiões pontuais nas décadas de 1940 e 1950, o clube chegou a utilizar uniformes rubro-negros, em homenagem às cores da bandeira da Paraíba, especialmente em partidas contra equipes como ABC e Fluminense. A experiência, no entanto, foi breve, e o alvinegro seguiu como marca definitiva do clube.

O Galo Moral é o mascote oficial do Treze – Foto: Daniel Vieira / Treze FC

O mascote do Treze é o Galo, escolhido por uma curiosa associação cultural: no jogo do bicho, o galo representa o número 13. O animal chegou a figurar no escudo do clube ao longo dos anos, mas acabou retirado nas versões mais modernas do símbolo, permanecendo, porém, como elemento central da identidade trezeana.

Conquistas e afirmação regional

Ao longo de sua história, o Treze se consolidou como um dos clubes mais vencedores do futebol paraibano. No Campeonato Paraibano, competição que passou a disputar em 1939, o clube soma 17 títulos estaduais, ocupando a terceira posição entre os maiores campeões do estado.

Entre as conquistas mais relevantes fora do estadual estão o Torneio Pernambuco–Paraíba, vencido em 1961, em um quadrangular que contou com Campinense, Santa Cruz e Náutico, e o Torneio Paraíba–Rio Grande do Norte, conquistado em 1980, diante de adversários como América-RN, Baraúnas e Alecrim.

Treze x Ferroviário-CE pela Série B de 1986. – Foto: Arquivo / Diário da Borborema

Em 1986, o Treze viveu um capítulo peculiar da sua história nacional ao disputar o Torneio Paralelo, organizado pela CBF e considerado equivalente à segunda divisão do Campeonato Brasileiro. O Galo terminou a competição na liderança do seu grupo, à frente de Moto Club-MA, Ferroviário-CE e River-PI. Apesar de se autointitular campeão da competição, o título nunca foi oficialmente reconhecido pela CBF, situação que até hoje gera debates entre torcedores e historiadores.

Rivalidades que moldaram gerações

A trajetória do Treze também é marcada por rivalidades históricas. A maior delas é com o Campinense Clube, rival da mesma cidade. O confronto, conhecido como Clássico dos Maiorais, é disputado desde 1955 e se tornou um dos maiores do Nordeste. O primeiro encontro terminou com uma goleada do Treze por 4 a 0, no Estádio Plínio Lemos.

Treze x Campinense, o Clássico dos Maiorais – Foto: João da Paz

Em 2009, o Clássico dos Maiorais foi eleito pela Revista Época como o nono maior clássico do futebol brasileiro, superando rivalidades tradicionais do país.

Outro duelo emblemático é contra o Botafogo-PB, da capital João Pessoa. O Clássico Tradição, disputado desde 1939, está entre os confrontos mais antigos do estado. O primeiro encontro entre os clubes terminou de forma histórica: vitória do Treze por 8 a 1, em João Pessoa.

Estádios e ídolos

O Treze manda seus jogos tradicionalmente no Estádio Presidente Vargas, inaugurado em março de 1940. A partida inaugural foi contra o Ypiranga-PE, em um empate por 3 a 3. Atualmente, o estádio tem capacidade para cerca de 8.885 torcedores. O clube também utiliza o Estádio Amigão, pertencente ao Governo do Estado, compartilhado com o Campinense.

Adelino, o Leão do Galo, ídolo histórico do Treze. – Foto: Reprodução / Treze Futebol Clube: 80 Anos de História

Entre tantos nomes que vestiram a camisa alvinegra, Adelino, o “Leão do Galo”, é considerado o maior ídolo da história do clube. Com 151 gols em jogos oficiais, é o vice-artilheiro histórico do Treze e o maior goleador do clube em clássicos contra o Campinense. Em 1979, Adelino entrou para a história ao marcar oito gols em uma única partida, igualando um recorde de Pelé. Pelo Treze, foi campeão paraibano em 1975, título dividido judicialmente com o Botafogo-PB.

O centenário em meio à crise

O ano de 2025, que marcou o centenário do Treze Futebol Clube, foi vivido em meio a um dos períodos mais delicados de sua história. O clube enfrentou um processo de Recuperação Judicial, com dívidas estimadas em cerca de R$ 30 milhões, que ameaçaram sua própria existência.

Dentro de campo, a temporada começou de forma frustrante, com a eliminação precoce na pré-Copa do Nordeste diante do Ferroviário. No Campeonato Paraibano, o Treze avançou à fase decisiva, mas acabou eliminado na semifinal pelo Botafogo-PB. No Campeonato Brasileiro da Série D, a equipe não conseguiu alcançar o G-4.

Em meio ao cenário conturbado, o então presidente Artur Bolinha renunciou ao cargo. Em outubro, João Paiva foi eleito presidente como candidato único e iniciou uma nova fase administrativa, anunciando Roberto Fernandes como técnico para 2026.

Agora, às portas de um novo capítulo, o Treze busca retomar o protagonismo do futebol paraibano, apostando na reconstrução institucional e em nomes experientes dentro de campo, como o treinador Roberto Fernandes e o atacante Thiago Alagoano.

Cem anos depois de sua fundação, o Galo da Borborema segue como um dos pilares do futebol da Paraíba. Um clube que carrega nas arquibancadas, nos clássicos e na memória popular a própria história do esporte no estado.

Nossa Terra, Nossos Times: Conheça a história do Botafogo-PB, o Belo de João Pessoa

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