O futebol paraibano sempre foi marcado por clubes que ultrapassam as quatro linhas e se confundem com a própria história do estado. Na série Nossa Terra, Nossos Times, o Portal Fonte83 revisita a trajetória das agremiações que ajudaram a construir a identidade esportiva da Paraíba, atravessando gerações, resistindo a crises e se consolidando como símbolos de pertencimento, memória e paixão popular.
Fundado em 12 de abril de 1915, na cidade de Campina Grande, o Campinense Clube nasceu inicialmente como uma associação social e recreativa. Criado por 29 jovens entusiastas, o clube surgiu com o objetivo de promover lazer, convivência e atividades culturais para a sociedade campinense. O nome escolhido, Campinense, foi uma homenagem direta aos cidadãos da cidade, reforçando desde o início o vínculo profundo da agremiação com Campina Grande.
Durante suas primeiras décadas, o Campinense se destacou como um espaço de encontros sociais, bailes e eventos culturais, tornando-se referência entre a elite local. Somente em 1954 o clube decidiu ampliar suas atividades e ingressar de vez no futebol, esporte que já ganhava força em todo o país. A decisão marcou uma mudança definitiva na história da instituição e abriu caminho para a construção de uma das trajetórias mais vitoriosas do futebol nordestino.
A estreia oficial do Campinense em competições estaduais aconteceu em 1958. O impacto foi imediato. Apenas dois anos depois, em 1960, a Raposa conquistou seu primeiro Campeonato Paraibano de forma invicta. Foram 14 jogos, 14 vitórias, 28 gols marcados e apenas oito sofridos. A campanha terminou com vitória por W.O. na final diante do Botafogo-PB, que havia escalado jogadores irregulares, selando o início de uma era dominante.
A Era de Ouro da Raposa
As décadas de 1960 e 1970 ficaram eternizadas como a Era de Ouro do Campinense Clube. Entre 1960 e 1965, o clube conquistou seis títulos estaduais consecutivos, tornando-se o primeiro hexacampeão paraibano e estabelecendo uma hegemonia inédita no futebol do estado. O Campinense deixou de ser apenas uma força local para se consolidar como potência regional.
Esse protagonismo se refletiu também no cenário nacional. Nas edições de 1961 e 1962 da Taça Brasil, precursora do Campeonato Brasileiro, a Raposa protagonizou campanhas históricas. Em 1962, o Campinense goleou o CRB por 6 a 0 em Alagoas e, na sequência, venceu o Bahia por 2 a 0 em Campina Grande, quebrando uma invencibilidade de 52 jogos do time baiano. O feito garantiu ao clube o direito de disputar a final da Fase Nordeste da competição.
Apesar da derrota nos pênaltis para o Sport, a campanha consolidou o Campinense como um dos gigantes do futebol nordestino. As transmissões de rádio e os jogos no Estádio Plínio Lemos impulsionaram o crescimento da torcida e fortaleceram a identidade rubro-negra em toda a Paraíba.
Nos anos seguintes, o Campinense seguiu acumulando conquistas. Em 1967, voltou a levantar o Campeonato Paraibano, superando o Treze. Em 1970, mesmo em meio a conflitos com a Federação Paraibana de Futebol, venceu o Torneio Dagoberto Pimentel, conhecido como “Torneio Mistão-70”, reafirmando sua força esportiva.
Títulos, rivalidades e protagonismo
Com o passar das décadas, o Campinense se consolidou como um dos clubes mais vencedores do estado. Ao todo, soma 23 títulos do Campeonato Paraibano, sendo o segundo maior campeão da história da competição, além de conquistas regionais e interestaduais que totalizam 35 títulos oficiais.
A trajetória de sucesso naturalmente construiu grandes rivalidades. A principal delas é com o Treze Futebol Clube, no tradicional Clássico dos Maiorais, disputado desde 1955. O confronto entre Raposa e Galo se tornou um dos mais emblemáticos do Nordeste, com 14 decisões estaduais entre as equipes, marcando gerações de torcedores em Campina Grande.
2008: o ano inesquecível
O ano de 2008 entrou para a história como um dos mais marcantes do Campinense Clube. Sob o comando do técnico Freitas Nascimento, a Raposa conquistou o Campeonato Paraibano após superar o Treze em duas partidas decisivas. A goleada por 3 a 0 no primeiro jogo e a vitória por 2 a 0 na final, diante de mais de 21 mil torcedores no Amigão, selaram a conquista estadual.
Mas o auge veio na Série C do Campeonato Brasileiro. O Campinense protagonizou uma campanha memorável, incluindo a vitória histórica sobre o Santa Cruz, no Arruda, que resultou no rebaixamento do clube pernambucano. O acesso à Série B foi confirmado com um empate sem gols contra o Atlético Goianiense, em Goiás.
A volta a Campina Grande foi apoteótica. Cerca de 100 mil torcedores receberam a delegação rubro-negra em uma das maiores celebrações da história do esporte paraibano. Até hoje, o Campinense é o único clube da Paraíba a conquistar o acesso à Série B do Campeonato Brasileiro.
Conquista regional e tempos recentes
Em 2013, o Campinense voltou a escrever seu nome na história ao conquistar a Copa do Nordeste, tornando-se o primeiro clube paraibano a levantar a taça regional. A vitória na final contra o ASA, no Estádio Amigão, diante de mais de 20 mil torcedores, reforçou o protagonismo da Raposa no cenário nordestino. Três anos depois, em 2016, o clube voltou à final da competição, mas acabou ficando com o vice-campeonato diante do Santa Cruz.
Nos anos mais recentes, o Campinense tem enfrentado desafios esportivos e administrativos. Desde 2022 sem calendário nacional, o clube busca retomar o protagonismo no futebol paraibano. Sob a presidência de Flávio Torreão, a Raposa voltou a investir no elenco e apostou em nomes experientes como Wallace, Éverton Heleno, Hélio Paraíba, Vitinho e Joãozinho, além do técnico Evaristo Piza, conhecido no futebol paraibano.
Mais de um século depois de sua fundação, o Campinense Clube segue como um dos maiores símbolos esportivos da Paraíba, um clube que transformou identidade local em grandeza regional e escreveu capítulos inesquecíveis na história do futebol nordestino.
Nossa Terra, Nossos Times: Conheça a história do Botafogo-PB, o Belo de João Pessoa
Nossa Terra, Nossos Times: Conheça a história do Treze, o Galo da Borborema
Clique aqui para seguir o canal “FONTE83” no WhatsApp e fique bem informado




