O senador Efraim Filho (União Brasil–PB) avaliou que a declaração do presidente nacional do Progressistas (PP), Ciro Nogueira, pode acabar fortalecendo sua pré-candidatura ao Governo da Paraíba em 2026. A análise foi feita nesta quarta-feira (26), durante entrevista ao programa Correio Debate, da rádio Correio 98 FM.
Ao comentar o ultimato de Ciro, que condicionou o apoio do PP a um candidato à Presidência apenas se ele defender indulto e perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, Efraim disse que, na Paraíba, dentro da Federação União-Progressita, apenas ele poderia assumir essa linha política. “Quando Ciro Nogueira toma essa posição, só existe uma força política da Federação na Paraíba que pode seguir esse caminho, que pode assumir essa linha, e é o senador Efraim Filho. O deputado Aguinaldo Ribeiro e o vice-governador Lucas já declararam apoio ao PT. Então não vão defender esse alinhamento com indulto ao presidente Bolsonaro e aos envolvidos no 8 de janeiro”, afirmou, em tom direto.
Ao analisar o cenário, Efraim destacou que a posição nacional deve repercutir nos estados, incluindo a Paraíba, e lembrou que, dentro da federação partidária, apenas um dos seus quadros no Estado poderia seguir essa linha. “É uma posição que reforça o alinhamento nos estados com a projeção nacional. Na Paraíba é muito provável que tenha efeito, inclusive diante dessa prisão do Bolsonaro e da reação no Congresso Nacional. Ele não está preso por roubo ou corrupção. Bolsonaro está preso pelo que ele representa, pelas ideias, valores e princípios, com os quais muita gente no Brasil e na Paraíba se identifica”, completou o senador.
A fala de Ciro, divulgada no dia anterior em suas redes sociais, tem repercutido nacionalmente. O senador piauiense escreveu que o “critério excludente” do PP para apoiar qualquer candidato em 2026 será o compromisso explícito com o indulto ao ex-presidente, posicionamento que reforça a pressão bolsonarista após a prisão de Bolsonaro no último sábado (22).
O movimento ocorre no momento em que partidos da oposição tentam acelerar, no Congresso, propostas de anistia. Enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL–RJ) afirma que o PL só aceita perdão total, o chamado “PL da Dosimetria”, relatado por Paulinho da Força, busca apenas rever penas, sem contemplar Bolsonaro nem os condenados do 8 de Janeiro.
Ao colocar a anistia no centro do debate nacional, Ciro empurra potenciais candidatos da direita e centro-direita a se posicionarem antes mesmo do início formal da campanha. Na Paraíba, Efraim aproveita o espaço deixado pelo Progressistas e tenta se firmar como a principal voz alinhada ao discurso do senador.
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