Deputado estadual Walber Virgolino (PL), durante entrevista à imprensa na ALPB. - Foto: Divulgação

O deputado estadual Walber Virgolino (PL) elevou o tom, nesta terça-feira (25), ao cobrar publicamente que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (RepublicanosPB), cumpra o compromisso firmado com a direita e paute a anistia aos investigados pelos atos de 8 de janeiro. A declaração foi dada à imprensa, após sessão na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) e ocorre em meio ao recrudescimento da pressão do bolsonarismo local sobre o parlamentar paraibano.

Virgolino afirmou não ter objeções pessoais a Motta, mas criticou sua atuação à frente da Câmara. Para ele, o presidente da Casa tenta “agradar gregos e troianos” e evita assumir compromissos políticos claros.” Como deputado federal, ele fez um bom trabalho, mas como presidente da Câmara falta posicionamento. Ele tenta agradar esquerda e direita. Disse que anistia não era prioridade, mas foi compromisso dele de campanha com o PL e com os conservadores”, disparou.

O deputado lembrou que, na disputa pela presidência da Câmara, defendia que o PL apoiasse um candidato mais alinhado ao bolsonarismo, e afirmou que sua avaliação “se confirmou”. “Ele ganhou votos da direita prometendo a anistia. Só a anistia salva Bolsonaro e as pessoas presas do 8 de janeiro. Outro projeto não vai resolver”, afirmou.

Ataque direto ao PL local e recado interno

Virgolino também cobrou coerência da direita paraibana, criticando parlamentares que, segundo ele, defendem Bolsonaro em Brasília, mas se alinham a adversários do ex-presidente no Estado. “Não adianta gravar vídeo contra Alexandre de Moraes e Lula e, aqui na Paraíba, aplaudir quem luta contra Bolsonaro. Defender Bolsonaro é defender a direita na Paraíba”, reforçou.

O deputado concluiu dizendo que continuará defendendo sua posição de forma “incisiva”.

A fala de Virgolino ocorre um dia após o pré-candidato Nilvan Ferreira, também aliado de Bolsonaro, divulgar um vídeo responsabilizando Hugo Motta por eventuais desdobramentos mais graves envolvendo o ex-presidente. No discurso, Nilvan afirmou que a “opressão” e o “enclausuramento” impostos pelas instituições poderiam ter consequências irreversíveis.

Ele cobrou que Motta coloque em votação a proposta de anistia aos investigados pelos atos de 8 de janeiro, reacendendo o debate sobre o papel do presidente da Câmara em pautas sensíveis ao bolsonarismo.

Motta adia discussão sobre anistia

Apesar da pressão do PL, aliados de Hugo Motta afirmam que o presidente da Câmara pretende segurar a discussão sobre uma anistia ampla. Segundo relatos, ele considera o momento “conturbado” e teme “colocar lenha na fogueira” ao pautar o tema nesta semana.

O relator do projeto, Paulinho da Força (SolidariedadeSP), quer focar apenas na dosimetria das penas, mas o PL prepara destaque para inserir a anistia completa, movimento que tende a forçar um confronto político no plenário.

A disputa já expõe fraturas entre o bolsonarismo paraibano, o PL nacional e a condução de Hugo Motta, que tenta administrar o impasse sem desgastar sua presidência.

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