O futebol paraibano sempre foi marcado por clubes que ultrapassam as quatro linhas e se confundem com a própria história do estado. Na série Nossa Terra, Nossos Times, o portal Fonte83 revisita a trajetória das agremiações que ajudaram a construir a identidade esportiva da Paraíba, atravessando gerações, resistindo a crises e se consolidando como símbolos de pertencimento, memória e paixão popular.
A Fundação do Trovão Azul
Às margens da BR-230, no dia 3 de julho de 1948, um grupo de desportistas liderado por Higino Pires Ferreira deu início a um movimento que mudaria a história esportiva de Cajazeiras. A proposta era unir forças: fundir o Botafogo FC, de Emi Maciel, ao tradicional Oratório Festivo Salesiano.
Poucos dias depois, em 21 de julho de 1948, nascia oficialmente o Atlético Cajazeirense de Desportos. Surgia o Trovão Azul do Sertão, símbolo esportivo de uma das cidades mais tradicionais do interior paraibano.
Profissionalização e Caminho à Elite
Em 1984, o então governador Wilson Braga articulou o aluguel do Nacional de Cabedelo para representar Cajazeiras, recolocando a cidade no mapa do futebol estadual. Vários atletas do Atlético integraram aquele elenco, fortalecendo a base local.
Com o fim do contrato, em 1990, o clube decidiu trilhar caminho próprio e profissionalizou sua equipe para disputar a Copa Integração. Em 1991, sagrou-se vice-campeão e garantiu vaga na elite do Campeonato Paraibano a partir de 1992, um passo decisivo para consolidar sua presença entre os grandes.
O Título Estadual e o Auge
O maior momento da história azulina veio em 2002. O Atlético conquistou o Campeonato Paraibano, beneficiado pela desistência do Campinense Clube em disputar a partida decisiva e pela vitória do Botafogo-PB sobre o Treze.

Time campeão estadual pelo Atlético-PB em 2002. – Foto: Arquivo
No ano seguinte, o clube voltou a ganhar destaque ao ter o artilheiro da competição: Paulinho Guerreiro, com 17 gols, feito inédito para um jogador da cidade.
Altos, Baixos e Resistência
Após o auge, vieram as oscilações. O rebaixamento em 2008 marcou o início de um período turbulento. Em 2009, o clube foi vice da Segunda Divisão e aplicou a maior goleada da história da competição: 9 a 1 sobre a Perilima.
Novas quedas e até afastamento das competições ocorreram no início da década seguinte, mas o Trovão Azul mostrou capacidade de reconstrução. Em 2012, conquistou pela primeira vez o título da Segunda Divisão e retornou à elite.
Entre 2017 e 2019, viveu fase competitiva, alcançando semifinal estadual e garantindo vaga na Série D de 2020 após terminar em terceiro lugar no Paraibano.
Pandemia, Punições e Reconstrução
A temporada de 2020 começou promissora, mas foi interrompida pela pandemia da Covid-19. Nos anos seguintes, o clube enfrentou novos desafios, incluindo o rebaixamento no Campeonato Paraibano de 2022.
Em 2023, reagiu com o título da Segunda Divisão. Porém, em 2024, sofreu duro golpe: o Tribunal de Justiça Desportiva da Paraíba puniu o clube com a perda de 13 pontos por escalação irregular de atleta, resultando em novo descenso.
Mesmo assim, o Atlético voltou a mostrar resiliência. Em 2025 foi vice-campeão da Segundona e garantiu retorno à elite em 2026, ano em que assegurou a permanência na primeira divisão.
O Clássico do Sertão
A identidade do Atlético também se constrói na rivalidade com o Sousa Esporte Clube, no tradicional Clássico do Sertão. O confronto é um dos mais intensos do interior paraibano e simboliza o orgulho esportivo de duas cidades históricas.
Entre conquistas, quedas e recomeços, o Trovão Azul segue representando Cajazeiras com a força de quem aprendeu a sobreviver às tempestades. No Sertão, o som do trovão nunca é definitivo, é anúncio de que a luta continua.
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