O Tribunal de Justiça da Paraíba autorizou a realização de uma operação que investiga um suposto esquema envolvendo agentes públicos, empresários e integrantes de organização criminosa dentro da estrutura da Prefeitura de Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa.
A decisão foi assinada pelo desembargador Ricardo Vital de Almeida e atende a um pedido conjunto do Ministério Público da Paraíba e da Polícia Federal. Entre as medidas determinadas estão mandados de busca e apreensão, afastamento de servidores, proibição de acesso a prédios públicos e restrição de contato entre os investigados.
De acordo com as investigações, o grupo teria ligação com a facção criminosa conhecida como “Tropa do Amigão”, apontada como ramificação do Comando Vermelho.
Os indícios reunidos apontam que a estrutura administrativa da prefeitura e da Câmara Municipal de Cabedelo teria sido utilizada como suporte logístico e financeiro para atividades ilícitas. O esquema envolveria controle territorial em comunidades carentes, com troca de apoio político por contratações direcionadas dentro do poder público.
O foco da apuração recai sobre possíveis fraudes em licitações, especialmente nos Pregões Eletrônicos nº 112/2024 e nº 97/2025, além da execução do Contrato nº 02/2020 e seus aditivos.
Segundo os órgãos de investigação, empresas como a Lemon Terceirização e Serviços Ltda e a Avlis Mão de Obra Especializada Ltda teriam sido beneficiadas de forma contínua. Por meio dessas empresas, pessoas indicadas pela facção seriam contratadas.
Os recursos públicos destinados a esses contratos, em tese, retornariam aos líderes da organização criminosa e a agentes políticos na forma de propina, configurando crimes como:
fraude à licitação
desvio de recursos públicos
lavagem de dinheiro
organização criminosa
Entre as medidas cautelares, foi determinado o afastamento do prefeito interino Edvaldo Manoel de Lima Neto, além da secretária de Administração, Josenilda Batista dos Santos, e de outros servidores considerados estratégicos.
Na decisão, o magistrado destacou que a medida é necessária para preservar provas e proteger o patrimônio público.
“O afastamento dessas pessoas é medida rigorosa, porém estritamente proporcional para garantir a coleta transparente das provas”, afirmou.
Também foi proibido o acesso de diversos investigados às dependências da prefeitura, incluindo agentes com influência política e jurídica no município.
As investigações seguem em andamento e buscam aprofundar o mapeamento da atuação do grupo, além de identificar o alcance dos danos ao erário e a possível responsabilização dos envolvidos.
Refém da própria política, Cabedelo não tem um minuto de sossego – Por Dayana Lucas
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