Polícia Federal apreende dinheiro durante operação em Cabedelo.

Cabedelo mal sai de uma eleição e já entra em crise. Não deu tempo nem de o resultado esfriar e a cidade já voltou ao noticiário policial, com prefeito afastado e a prefeitura, mais uma vez, nas mãos de um interino.

Não é surpresa. É repetição.

A Operação Cítrico escancarou um cenário pesado: suspeitas de fraude em licitações, desvio de dinheiro público, lavagem e até ligação com facção criminosa. Segundo as investigações, contratos teriam sido usados como ponte entre a gestão pública e o crime organizado, com infiltração dentro da própria estrutura da prefeitura.

Não é crise política. É algo mais fundo.

Quando a máquina pública passa a ser usada como ferramenta de poder e influência, o problema deixa de ser quem está no cargo. O problema passa a ser o modelo. Um modelo que se repete, troca de nome, mas mantém a lógica.

E o mais simbólico de tudo é o tempo. Ou melhor, a falta dele.

Cabedelo elegeu e, praticamente no mesmo fôlego, já teve que trocar de comando. O voto virou passageiro. A instabilidade virou rotina.

A cidade, que tem um dos maiores potenciais econômicos da Paraíba, segue presa a um ciclo onde a política não consegue entregar o básico: normalidade.

No fim das contas, Cabedelo não vive eleição. Vive interrupção.

E enquanto esse ciclo não for quebrado, a cidade vai continuar assim: escolhendo nas urnas e perdendo na prática.