O portal Fonte83 reuniu os principais acontecimentos da cena política paraibana entre os dias 20 e 24 de abril de 2026, em um período marcado por forte intensificação das articulações eleitorais, rearranjos de alianças, disputas internas em partidos e movimentações estratégicas que já projetam o cenário das eleições deste ano. A semana também foi marcada por agendas de pré-campanha, declarações de lideranças, reposicionamentos políticos e decisões administrativas e judiciais que impactam diretamente o ambiente político do estado.
O ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), aparece como um dos protagonistas do período ao intensificar agendas no interior, ampliar sua base de apoio e reforçar sua pré-candidatura ao Governo da Paraíba. Em meio ao bom desempenho nas pesquisas, ele destacou a própria experiência administrativa como diferencial e afirmou que pretende ampliar o diálogo com a população antes de apresentar propostas mais consolidadas. Nos bastidores, Cícero também avança na construção de sua chapa majoritária e deve oficializar o nome do empresário Diogo Cunha Lima (PSD), filho do ex-senador Cássio Cunha Lima e irmão do presidente estadual do PSD e ex-deputado federal Pedro Cunha Lima, como vice em um evento político em Campina Grande, movimento considerado estratégico para sua consolidação eleitoral.
No campo governista, o governador do Estado e pré-candidato a reeleição, Lucas Ribeiro (PP) manteve uma postura de estabilidade e articulação, reforçando que não há ruptura com aliados e buscando preservar a unidade da base. Lucas também tem se colocado como peça central na definição da composição da chapa governista, especialmente no que diz respeito à escolha da vice-governadoria, tema que segue em aberto e alvo de intensas negociações. Em declarações recentes, ele não descartou diferentes cenários, incluindo a participação de nomes ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT), e destacou tranquilidade em relação à relação com o governo federal, especialmente após agendas ao lado dos ministros do Turismo, Gustavo Feliciano e da Secretaria-Geral da Presidência Guilherme Boulos, reforçando alinhamento institucional com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva .
A definição da vice-governadoria, aliás, se tornou um dos principais pontos de tensão e articulação da semana. O deputado federal Wilson Santiago (Republicanos) afirmou que a decisão final caberá a Lucas Ribeiro, reforçando o protagonismo do governador no processo. Paralelamente, nomes como o do deputado estadual Luciano Cartaxo (Republicanos) passaram a circular como possíveis alternativas, com o político destacando sua experiência administrativa como ativo relevante para uma eventual composição de chapa, embora sem confirmar oficialmente pré-candidatura.
A movimentação política também foi intensa no campo das alianças partidárias. O Mobiliza anunciou apoio à pré-candidatura de Lucas Ribeiro, ampliando sua base de sustentação. Já no Republicanos, o vereador licenciado e secretário da Sedub-JP, Marmuthe Cavalcanti declarou apoio a Cícero Lucena para o Governo e indicou alinhamento com o ex-prefeito de Patos e presidente estadual do Republicanos na Paraíba, Nabor Wanderley para o Senado, evidenciando rearranjos regionais importantes. No PT, lideranças como a presidente estadual, a deputada Cida Ramos reforçaram alinhamento interno com Lucas Ribeiro e defenderam unidade partidária, enquanto outras lideranças admitem que o cenário ainda pode sofrer alterações até as convenções.
A disputa pelo Senado também ganhou força no período. O ex-governador João Azevêdo (PSB) intensificou articulações com prefeitos e ampliou sua base política em torno da pré-candidatura ao Senado Federal, ao mesmo tempo em que reforça presença em agendas regionais. Já o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB–PB) destacou aproximação com o governo federal em eventos sociais e reforçou o discurso de compromisso histórico com o projeto político do presidente Lula, embora evite cravar alianças definitivas para outubro. O deputado federal Ruy Carneiro (Podemos–PB), por sua vez, afirmou que o Podemos seguirá decisão coletiva, mas garantiu liberdade para seus filiados nas eleições.
Nos bastidores municipais, o prefeito Leo Bezerra (PSB) promoveu exonerações e mudanças administrativas em João Pessoa, atingindo inclusive aliados políticos, enquanto mantém diálogo aberto com o governador Lucas Ribeiro, embora adote postura mais firme na condução de alianças futuras. Em Cabedelo, o prefeito interino exonerou integrantes da gestão após investigações policiais, aprofundando o clima de reestruturação administrativa no município.
O período também foi marcado por decisões judiciais e institucionais relevantes. A Justiça Eleitoral cassou o prefeito e o vice de Igaracy por compra de votos e abuso de poder, tornando ambos inelegíveis por oito anos, em um dos casos mais graves da semana. Em Cabedelo, decisões judiciais mantiveram diplomações e rejeitaram ações eleitorais, enquanto o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB) apontou falhas ,as contas da Prefeitura de Lucena referentes ao exercício de 2022, na gestão do prefeito Leomax da Costa Bandeira (MDB). No campo federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) foi acionado para analisar com urgência o julgamento da LDO 2026 na Paraíba, ampliando a tensão institucional em torno do orçamento estadual.
Na área econômica e administrativa, o governador Lucas Ribeiro celebrou o terceiro “AAA” fiscal consecutivo da Paraíba, associando o resultado ao desempenho positivo da economia estadual. Em contrapartida, a Federação das Associações de Municípios da Paraíba (Famup) alertou para queda nos repasses de abril e recomendou cautela na gestão financeira das prefeituras, diante de um cenário de maior restrição orçamentária.
Também ganharam repercussão episódios de segurança e investigações, como a prisão de um homem acusado de tentar aplicar golpes contra parlamentares na Paraíba, reforçando atenção das autoridades para crimes envolvendo figuras públicas.
A semana se encerra com um cenário político em forte ebulição, marcado por múltiplas frentes de articulação, disputas internas e reposicionamentos estratégicos. O que se observa, a poucos meses da consolidação das chapas, é um ambiente ainda aberto, dinâmico e em constante transformação, onde alianças podem ser redefinidas a qualquer momento e cada movimento político ganha peso decisivo na construção do tabuleiro eleitoral deste ano.
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