Mais de 3,2 milhões de paraibanos estão aptos a votar - Foto: Reprodução / IA.

A Paraíba chega ao domingo de votação, neste 4 de outubro, com um eleitorado que carrega nas urnas muito mais do que uma escolha entre candidatos. Entre o desejo de mudança, o desgaste com as promessas de campanha, a polarização e a cobrança por respostas para problemas que afetam a vida cotidiana, cresce a expectativa sobre o que virá depois do voto. Segurança, saúde, educação, emprego e qualidade dos serviços públicos estão entre as principais preocupações de quem vai decidir o futuro político do Estado.

Na Paraíba, 3.247.397 eleitores estão aptos a votar nas eleições de 2026. O número representa crescimento de 155.713 eleitores em relação a 2022. Em todo o país, o eleitorado também aumentou, em um cenário no qual as campanhas passaram a disputar espaço não apenas nas ruas, mas também nas redes sociais.

Para entender o que está por trás do voto, o Portal Fonte83 ouviu eleitores de diferentes perfis e regiões, além do cientista social e professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), José Marciano Monteiro. As respostas revelam um sentimento que mistura expectativa, cautela e cobrança por resultados concretos.

O eleitor mudou a forma de participar

Para José Marciano Monteiro, a menor presença em atividades tradicionais de campanha não deve ser confundida automaticamente com desinteresse pela política. Segundo ele, a participação mudou de formato e passou a ocorrer de maneira mais individualizada, principalmente pelas redes sociais.

“Hoje temos outras formas de participação política. O eleitor pode não estar em uma caminhada ou em um comício, mas acompanha, comenta, compartilha e discute política pelas redes sociais”, explicou o professor.

Segurança e educação aparecem entre as cobranças

Moradora dos Bancários, em João Pessoa, a estudante de odontologia Ana Clara Sousa afirma que chega à eleição com expectativas baixas. Para ela, parte da população está cansada de promessas que não se transformam em mudanças concretas.

“Eu espero que o próximo governo traga inovação e realmente cumpra aquilo que promete. A população está cansada de ouvir promessas e não ver resultados”, afirmou ao Portal Fonte83. Entre suas principais preocupações estão a segurança pública e a educação.

Tecnologia, mobilidade e emprego também entram na conta

O técnico em informática Luiz Henrique Martins, morador de Mangabeira, também demonstra pouca expectativa em relação à disputa. Para ele, o eleitor precisa encontrar alternativas além da polarização que, em sua avaliação, tomou conta do debate político.

“Parece que a política virou uma disputa entre dois lados, como se fosse uma rinha de galo. Eu gostaria de ver mais alternativas”, afirmou. Entre as prioridades, cita melhorias no transporte e no trânsito, além de oportunidades de trabalho ligadas à tecnologia e ao turismo.

Polarização desafia o debate sobre propostas

Na avaliação de Marciano, a polarização continua sendo um elemento importante na decisão do eleitor, mas é necessário diferenciar a disputa de ideias da chamada polarização afetiva, quando a identidade política e a rejeição ao adversário ganham espaço.

“O desafio é fazer com que a eleição também seja discutida a partir de propostas, planejamento e capacidade de execução. Saúde, educação, segurança, emprego e outras questões precisam estar no centro do debate”, observou.

Eleitor cobra continuidade e resultados

Moradora do Rio Grande do Norte e criada em João Pessoa, a designer de moda Eduarda Alves diz não se identificar com os candidatos colocados na disputa. Ela critica o excesso de confronto ideológico e defende que os projetos públicos tenham continuidade.

“Às vezes parece que a política fica muito presa a uma briga entre esquerda e direita, enquanto os problemas continuam. Eu gostaria de ver projetos que tenham continuidade e não apenas ações aparecendo perto do fim do mandato”, afirmou.

Do Sertão à Capital, demandas se cruzam

Em Patos, o trabalhador técnico-administrativo Gabriel Claudino espera uma eleição disputada e defende que o eleitor analise propostas e histórico dos candidatos antes de decidir o voto.

“É preciso observar as propostas, mas também o que cada candidato já fez e a responsabilidade que demonstra. O eleitor quer transparência, saúde, educação, emprego e serviços públicos que realmente funcionem”, destacou ao Portal Fonte83.

Para Marciano, a diversidade das demandas paraibanas exige atenção às diferenças entre regiões. Saúde, segurança, emprego, educação, água e desigualdades regionais aparecem entre questões que podem influenciar a avaliação do próximo governo.

Diferentes expectativas diante das urnas

A estudante de medicina veterinária Manuelle Epitácio, moradora do Valentina, também chega às urnas com uma mistura de expectativa e desânimo diante do cenário político. Para ela, a polarização contribui para afastar parte dos eleitores da política e dificulta a identificação com diferentes candidaturas. “Eu acho que o público está desmotivado com os políticos por conta da polarização e por não haver, meio que, chance para outros candidatos. Fora a questão da corrupção, que sempre acontece. Eu espero que quem governe a Paraíba e o Brasil faça isso de forma consciente, realmente buscando beneficiar a população, criando políticas públicas para melhorar a desigualdade, a infraestrutura, a educação e a saúde. Melhorar o SUS é o que eu espero”, afirmou.

No Sertão, o servidor público Francisco Vieira, de Riacho dos Cavalos, também chega às eleições com expectativas relacionadas ao perfil dos futuros representantes. Para ele, além da escolha dos candidatos, o eleitor precisa observar quais propostas estão alinhadas às mudanças que considera necessárias para a sociedade.

“Minhas expectativas para as eleições de 2026 são de que candidatos mais progressistas ocupem mais espaço no cenário político. Grande parte da população está desmotivada porque não consegue perceber melhorias concretas em áreas como educação, segurança e economia. Também vejo a polarização entre esquerda e direita, concentrada nos mesmos grupos políticos, como um fator que contribui para esse desânimo”, ressaltou.

Ao projetar o cenário após a votação, Francisco defende que os futuros governantes tenham como prioridade setores da população que, segundo ele, dependem diretamente das políticas públicas.

“Espero que os futuros governantes da Paraíba e do Brasil sejam representantes do povo, da classe trabalhadora e das pessoas mais pobres, buscando desenvolver projetos sociais que melhorem a vida de quem realmente precisa do apoio do Estado”, acrescentou para a reportagem do Portal Fonte83.

As entrevistas mostram que o desânimo não significa necessariamente ausência de interesse pela eleição. Há cobrança, dúvidas e, em muitos casos, dificuldade para encontrar identificação com os candidatos. Ao mesmo tempo, permanece a expectativa de que o próximo governo consiga enfrentar problemas que fazem parte da rotina da população.

Entre a polarização, a descrença e a esperança de mudança, o eleitor chega ao domingo com uma cobrança que ultrapassa a escolha dos nomes: quer saber o que será feito depois que as urnas forem fechadas e quais promessas poderão, de fato, se transformar em ações.

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