O deputado estadual e pré-candidato ao Senado, André Gadelha (MDB) admitiu, nesta segunda-feira (25), a existência de divergências políticas dentro da tradicional família Gadelha em meio às articulações para as eleições de outubro. Durante entrevista, o parlamentar revelou que teria uma reunião com o suplente de deputado federal Leonardo Gadelha (Podemos–PB) para discutir o cenário político e os posicionamentos dentro do grupo familiar.
André afirmou que o cenário envolvendo Leonardo passa diretamente pelas indefinições internas do Podemos na Paraíba. Segundo ele, há lideranças do partido alinhadas tanto ao grupo do ex-prefeito Cícero Lucena (MDB) quanto ao campo político ligado ao governador Lucas Ribeiro (PP).
“Tenho uma reunião marcada hoje com o deputado Leonardo Gadelha. Apesar de Leonardo ser uma liderança importante do Podemos em nível nacional, existe uma divisão dentro do partido. Tem Romero votando com Cícero e Ruy defendendo apoio a Lucas. Leonardo fica nesse meio sem uma definição clara”, declarou ao programa CBN João Pessoa, da rádio CBN Paraíba.
Ao comentar sobre sua própria candidatura ao Senado, André Gadelha rebateu questionamentos sobre a viabilidade política do projeto diante das divergências dentro da própria família. O parlamentar afirmou que o MDB também enfrenta desafios internos, mas disse acreditar na construção política em andamento no estado.
A entrevista também trouxe à tona a situação do empresário Dalton Gadelha, que vem sendo citado nos bastidores políticos como possível suplente na chapa encabeçada pelo ex-governador João Azevêdo (PSB) ao Senado.
Segundo André, a família Gadelha possui diferentes ramificações políticas espalhadas pelo estado e cada integrante mantém relações distintas dentro do cenário partidário paraibano. Ele ressaltou que Dalton possui proximidade institucional com o Governo do Estado por conta de projetos ligados ao setor empresarial e hospitalar. “A nossa família é muito grande e tem ramificações em toda a Paraíba. Dalton é uma referência como empresário, dono da Facisa e do Hospital Help, e possui convênios com o Governo do Estado. Naturalmente, isso cria uma aproximação política”, afirmou.
Durante a entrevista, André também criticou o formato dos eventos do Orçamento Democrático Estadual (ODE) promovidos pelo Governo da Paraíba. O pré-candidato ao Senado acusou a gestão estadual de utilizar as plenárias como espaços de antecipação eleitoral. “O que estamos vendo são eventos com características de palanque político antecipado. Tem bandas musicais, mobilização de prefeitos e discursos políticos com pedido explícito de voto. Isso precisa ser observado pela Justiça Eleitoral”, declarou.
Apesar das divergências familiares, André Gadelha afirmou contar com o apoio de vários integrantes históricos da família no projeto político de 2026. Entre os nomes citados por ele estão Marcondes Gadelha, Renato Gadelha, Felipe Gadelha, Leonardo Gadelha e Lafayette Gadelha.
O parlamentar, no entanto, reconheceu que ainda não houve alinhamento político com Dalton Gadelha. Segundo André, o empresário teria sinalizado que aguarda uma conversa direta sobre a disputa ao Senado. “Dalton não votou em mim para deputado estadual, mas no momento certo vamos conversar. Estamos construindo esse projeto em todo o estado e haverá oportunidade para diálogo”, concluiu.
André Gadelha ganhou projeção política no Sertão da Paraíba após exercer os cargos de vereador, vice-prefeito e prefeito de Sousa. Atualmente no MDB, ele passou a integrar as articulações da chapa majoritária liderada pelo senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) e pelo ex-prefeito Cícero Lucena para as eleições estaduais de 2026.
Herança e Poder: A trajetória da família Gadelha na política e no empresariado da Paraíba



