O vereador de João Pessoa e músico Mô Lima (PP) voltou a defender uma maior valorização dos artistas paraibanos e a preservação da identidade cultural dos festejos juninos.
Durante entrevista ao programa Rede Verdade, da TV Arapuan, o parlamentar analisou a realidade financeira dos músicos regionais e criticou a concentração de recursos públicos e privados em grandes atrações de fora do estado.
Segundo Mô Lima, existe uma disparidade significativa entre os cachês pagos aos trios de forró tradicionais e os valores destinados aos artistas de projeção nacional que integram as programações juninas. Para ele, a situação acaba limitando a circulação de recursos dentro da própria economia paraibana. “O comerciante ganha com roupa e bebida, mas o grande montante quem leva é o artista [de fora]”, afirmou.
O vereador defendeu a criação de mecanismos complementares à Lei Luiz Gonzaga, iniciativa voltada ao incentivo dos artistas locais, com o objetivo de ampliar a participação dos músicos paraibanos nos grandes eventos realizados durante o período junino.
De acordo com Mô Lima, é necessário construir políticas permanentes que fortaleçam a cadeia produtiva da cultura regional, garantindo que parte dos recursos investidos nos festejos permaneça no estado e beneficie diretamente artistas, músicos, técnicos e demais profissionais ligados ao setor cultural.
As declarações reforçam um posicionamento que o parlamentar vem adotando nas últimas semanas em relação à organização dos festejos juninos na Paraíba, especialmente em Campina Grande, cidade que realiza o tradicional Maior São João do Mundo.
Em entrevistas recentes, Mô Lima também lamentou a ausência de nomes históricos da cultura popular na programação do evento. Entre os exemplos citados pelo vereador está o poeta Francinaldo, que, segundo ele, representa a essência das tradições nordestinas e deveria ter espaço garantido nas festividades.
Além disso, o músico já manifestou críticas à presença de artistas de gêneros musicais que não possuem ligação direta com as tradições juninas. Para Mô Lima, embora a diversidade musical tenha seu espaço, o São João deve preservar suas raízes culturais e priorizar atrações ligadas ao forró, à cultura popular e às manifestações típicas do Nordeste.
O debate sobre a valorização dos artistas locais e a identidade cultural dos festejos tem ganhado força nos últimos anos, especialmente diante do crescimento dos investimentos em grandes atrações nacionais. Para defensores da cultura regional, o desafio é equilibrar o potencial turístico e econômico dos eventos sem perder as características que transformaram o São João nordestino em uma das maiores expressões culturais do país.
Programação do São João 2026 de Campina Grande será divulgada nesta quarta-feira (8)



