O senador Efraim Filho (PL), pré-candidato ao Governo da Paraíba, afirmou nesta quarta-feira (15) que manterá o programa estadual Tá na Mesa caso seja eleito. O parlamentar rebateu declarações do governador Lucas Ribeiro (PP), que havia defendido o afastamento de gestores públicos investigados para que possam exercer o direito de defesa sem permanecer em cargos da administração.
Ao comentar o programa de segurança alimentar, Efraim fez questão de afirmar que sua crítica não é direcionada à política pública, mas às suspeitas investigadas pelo Ministério Público. “Eu não critiquei o programa, eu critiquei o roubo que tá sendo feito no programa, e quem tá dizendo isso não sou eu, é o Gaeco. Então, nós temos sim que estar atentos. Vou manter, vou manter a questão da alimentação popular”, destacou durante entrevista ao programa CBN João Pessoa, da rádio CBN Paraíba.
Na sequência, o senador reforçou que considera o programa essencial para a população em situação de vulnerabilidade e voltou a associar as investigações ao caso envolvendo o Hospital Padre Zé. “Você tem pessoas que estão na vulnerabilidade e que dependem daquele prato de comida. O que é feio é estar roubando. Como roubaram lá no Padre Zé, no escândalo do Padre Egídio. Secretários do governo foram denunciados, e o governador faz ‘boquinha de siri’ para não comentar esses temas. Quando é para falar dos programas e políticas públicas, ele diz que participou das decisões. Mas, quando chega a hora de explicar qual foi a punição dada aos secretários envolvidos nos escândalos de desvio de dinheiro, diz que não tem nada a ver com isso. É bom no que é positivo, mas, no que é negativo, não quer assumir responsabilidade. Essa falta de procedimento, de coragem e de iniciativa é o que vai fazer a diferença no nosso governo”, ressaltou.
As declarações ocorrem após o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) receber, em maio, denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) contra 16 investigados por suposta participação em um esquema de desvios de recursos públicos envolvendo o Hospital Padre Zé, o Instituto São José e a Ação Social Arquidiocesana. Entre os denunciados estão os ex-secretários estaduais Tibério Limeira e Pollyanna Werton, que passaram à condição de réus no processo.
Segundo a investigação, a organização criminosa teria sido liderada pelo padre Egídio de Carvalho Neto e atuado na fraude de contratos, emissão de notas fiscais superfaturadas e devolução de valores em espécie. O Gaeco aponta que o esquema teria movimentado mais de R$ 18 milhões por meio do programa socioassistencial Projeto Prato Cheio. A denúncia também sustenta que houve omissão na fiscalização das prestações de contas por parte da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano (SEDH). Os denunciados negam as acusações e afirmam que exercerão o direito à ampla defesa.



