Há algum tempo venho acompanhando de perto a narrativa construída por setores da oposição em torno da questão do lixo em João Pessoa. E quanto mais observo, mais fica evidente que o debate deixou de ser sobre limpeza urbana e passou a ser sobre estratégia política.

Ninguém em sã consciência vai afirmar que uma cidade do porte de João Pessoa não enfrenta problemas pontuais na coleta de resíduos. Eles existem e precisam ser enfrentados com rapidez e eficiência. O que chama atenção, porém, é a tentativa deliberada de transformar dificuldades localizadas em uma falsa sensação de colapso generalizado.

Em muitos casos, surgem denúncias em áreas praticamente sem fluxo de moradores, enquanto uma engrenagem bem articulada parece funcionar diariamente para amplificar a percepção de caos. São reclamações repetidas à exaustão, reproduzidas nos mesmos espaços e impulsionadas por uma estratégia de comunicação que busca convencer a população de que a cidade estaria abandonada.

O objetivo não parece ser resolver problemas. Parece ser produzir manchetes, alimentar narrativas e desgastar politicamente a gestão de Léo Bezerra antes mesmo do início oficial da disputa eleitoral.

A crítica é legítima. A fiscalização é necessária. O apontamento de falhas faz parte da democracia. O que não é legítimo é transformar a exceção em regra, nem utilizar problemas reais como combustível para uma campanha permanente de desinformação política.

O debate sobre o lixo já ultrapassou há muito tempo os limites da limpeza urbana. O que está em jogo é uma disputa política que desce pelos canos do esgoto eleitoral da Paraíba. E quando a preocupação deixa de ser a cidade para se tornar apenas um instrumento de guerra política, quem perde é a verdade.

João Pessoa merece soluções. Não operações de marketing travestidas de indignação.

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