Ex-ministro Marcelo Queiroga (PL), durante entrevista - Foto: Reprodução/Youtube.

O ex-ministro da Saúde e pré-candidato ao Senado Federal, Marcelo Queiroga (PL), criticou nesta quinta-feira (28) a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e prevê o fim da escala 6×1 no Brasil.

Durante entrevista ao programa CBN João Pessoa, da rádio CBN Paraíba, Queiroga afirmou que o debate está sendo conduzido em um momento inadequado e sob influência de interesses eleitorais. “Todos querem beneficiar o trabalhador, disso não há dúvida. Mas é preciso analisar se essa mudança realmente vai trazer benefícios. Dependendo da forma como for feita, ela pode gerar um impacto econômico muito negativo”, declarou.

A Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, o texto-base da PEC que prevê a redução gradual da jornada de trabalho em até 14 meses e altera o modelo tradicional de seis dias trabalhados para um de descanso.

Para Queiroga, a discussão deveria ocorrer em outro cenário político. “Esse assunto precisa ser tratado, mas não agora. O debate está contaminado por uma agenda eleitoral e isso pode levar a uma decisão enviesada”, afirmou.

O ex-ministro também criticou propostas mais amplas dentro da discussão sobre a carga horária de trabalho. “Você vê parlamentares propondo modelos ainda mais radicais, como a escala 4×3. Isso acaba tornando o debate tóxico”, disse.

Queiroga ainda relacionou o tema à situação fiscal do país e afirmou que o governo federal estimula pautas de forte apelo popular sem discutir os impactos econômicos futuros. “Isso está sendo apresentado de maneira eleitoreira e irresponsável. Pode acabar sendo uma armadilha para os trabalhadores brasileiros”, declarou.

Ao comentar mudanças nas leis trabalhistas, o ex-ministro citou a reforma aprovada durante o governo Michel Temer (MDB). “Na reforma trabalhista conduzida no governo Temer houve redução de litígios e avanços importantes. O Brasil vive hoje um cenário fiscal delicado e quem governar o país a partir de 2027 encontrará desafios imensos”, afirmou.

A votação da PEC também expôs divisões políticas na bancada paraibana na Câmara dos Deputados. Apesar das críticas de setores da oposição, a maioria dos parlamentares do estado votou favoravelmente à proposta.

Votaram “sim” os deputados Aguinaldo Ribeiro (PP), Cabo Gilberto Silva (PL), Damião Feliciano (União Brasil), Gervásio Maia (PSB), Hugo Motta (Republicanos), Luiz Couto (PT), Mersinho Lucena (PSD), Murilo Galdino (Republicanos), Romero Rodrigues (Podemos), Ruy Carneiro (Podemos), Wellington Roberto (PSD) e Wilson Santiago (Republicanos).

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), teve papel central na condução da tramitação da matéria, que agora seguirá para análise do Senado Federal.

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