O advogado e presidente da coissão eleitoral da OAB-PB, Charles Oliveira comentou, durante o programa Senso Crítico da FGTV e MRTV, nesta quinta-feira (1º), apresentado pelo jornalista Klauber Beserra, sobre os critérios que envolvem as pesquisas eleitorais e as diferenças que podem aparecer entre os levantamentos realizados durante a campanha na Paraíba. A análise ocorre na reta final do primeiro turno, quando os números das pesquisas passam a ocupar ainda mais espaço no debate eleitoral.
Segundo Charles, os levantamentos seguem critérios técnicos e regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral. “É, basicamente, antes de tentar adentrar ao seu questionamento, é importante frisar que as pesquisas eleitorais seguem um rito científico, e legal. O TRE precisa ter acompanhamento disso, a Justiça Eleitoral como um todo, o TSE, estabelece critérios técnicos em relação a isso, e a própria cultura, doutrina da estatística vai também reger esse ramo de pesquisa eleitoral”, destacou.
Ao explicar por que diferentes institutos podem apresentar números distintos para uma mesma eleição, o advogado destacou que não se deve observar apenas o percentual divulgado. “A questão de resultados diferentes, em tese, demanda localidade, quem foi entrevistado, do método, se essa pesquisa foi quantitativa ou qualitativa, se foi espontânea, se foi estimulada. Então, tem uma série de requisitos que interferem no resultado.” A composição da amostra, o período da coleta e a metodologia utilizada fazem parte desse conjunto de elementos.
A discussão ganha relevância diante da quantidade de levantamentos registrados na reta final da eleição paraibana. Existem 18 pesquisas sobre a disputa no Estado protocoladas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com previsão de divulgação até o sábado (3). Entre os registros está um levantamento autofinanciado, com custo informado de R$ 3,5 mil, enquanto uma pesquisa contratada pela TV Cabo Branco junto ao Instituto Quaest tem valor informado de R$ 206.460.
A nova rodada da Quaest prevê 1.800 entrevistas na Paraíba, número superior aos 804 entrevistados utilizados nas séries anteriores mencionadas no material. O aumento da amostra pode reduzir a margem de erro, mas a leitura dos números continua relacionada ao conjunto da metodologia, incluindo a distribuição dos entrevistados e os critérios adotados para a coleta. Por isso, a comparação entre pesquisas exige atenção às condições em que cada levantamento foi realizado.
Charles também fez um alerta sobre a circulação de informações nas redes sociais, especialmente diante do avanço da inteligência artificial. “Agora sim, tem muita coisa que também aparece na internet, em tempos de IA, em tempos de inteligência artificial, em tempos da velocidade da informação, é bom esclarecer, que não necessariamente são verdade. Então isso tem sido combatido também pela Justiça Eleitoral de forma forte”, concluiu. A observação reforça a necessidade de verificar a origem, o registro e a metodologia antes de tratar números atribuídos a pesquisas como informação confirmada.




