Charles Oliveira, advogado e presidente da comissão eleitoral da OAB-PB e o jornalista Klauber Beserra - Foto: Reprodução.

O advogado e presidente da comissão eleitoral da OAB-PB, Charles Oliveira comentou, durante o programa Senso Crítico da FGTV e MRTV, nesta quinta-feira (1º), sobre as operações policiais realizadas nas últimas semanas e a preocupação com uma possível interferência do crime organizado no processo eleitoral. A discussão surgiu após relatos de ações de facções que buscariam exercer influência sobre territórios e até sobre a atuação de candidatos em determinadas regiões.

Para Charles, o problema ultrapassa as fronteiras da Paraíba e exige atenção das instituições responsáveis pela segurança e pela fiscalização das eleições. “É, na verdade, uma situação preocupante. Isso não é um problema da Paraíba, é um problema nacional. Eu diria até que é internacional. Há realmente uma preocupação do mundo do crime com as eleições em relação a interferir nela e entrar dentro do Estado de forma eleitoral, de forma bem específica”, destacou.

O advogado destacou que as operações policiais realizadas no período indicam, segundo sua avaliação, uma atuação das forças de segurança diante desse tipo de ameaça. “Estão muito atentas, isso é bom. Isso é bom para a população, bom para o Estado. E, assim, enquanto advogado eleitoralista, a gente se sente tranquilo nesse aspecto, porque sabe que o que ocorrer, pelo menos é a sensação que está aparecendo, é que esse tipo de influência, vamos dizer assim, obscura do crime organizado em eleições e em campanhas eleitorais está sendo realmente atacado pelas forças policiais”, ressaltou.

Na avaliação de Charles, a preocupação não se limita à possibilidade de influência direta sobre o voto, mas envolve uma disputa mais ampla por espaços de poder. Ele afirmou que a vulnerabilidade humana pode abrir brechas para práticas de corrupção, embora tenha feito uma distinção entre a possibilidade de o indivíduo ser corrompido e a própria prática corrupta. O tema, segundo ele, precisa ser observado dentro da relação entre crime organizado e estruturas institucionais.

Charles também citou o histórico de tentativas de aproximação da criminalidade com estruturas de poder para explicar a necessidade de vigilância permanente durante o processo eleitoral. “Há esse movimento realmente. É que, na verdade, isso eu infelizmente há de concordar com o cidadão Fernandinho Beira-Mar nesse aspecto, porque realmente sempre houve uma intenção da criminalidade em avançar em estruturas de poder estatais”, pontuou.

Ao concluir a análise, o advogado afirmou que a evolução das organizações criminosas também exige uma resposta cada vez mais estruturada por parte do poder público. “Porém, como a vida vai ficando mais moderna, mais complexa, eles também vão avançando na complexidade de suas ações. Cabe ao Estado acompanhar essa evolução e reprimir”, concluiu. A declaração foi feita no contexto das operações recentes e da preocupação com possíveis tentativas de interferência do crime organizado no processo eleitoral.

Assista a entrevista de Charles ao programa Senso Crítico da FGTV e MRTV:

No Senso Crítico da FGTV e MRTV, especialista alerta para avanço do crime organizado na política e instituições

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