O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL–PB), voltou a comentar o debate em torno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho no Brasil. Durante entrevista, nesta segunda-feira (1º), o parlamentar defendeu a continuidade das discussões sobre o tema e afirmou que a proposta precisa de ajustes para evitar impactos negativos sobre empregos e a economia.
Ao analisar o texto em discussão, o deputado criticou pontos da proposta e defendeu uma transição gradual. “Primeiro que a deputada que fez o texto não sabia nem a questão matemática. Ela botou 36 horas, 4×3, dava 32 horas. Isso foi o básico. Segundo, a questão do tempo para entrar em vigor, para ter responsabilidade com o debate público, sobretudo num tema caro como esse à sociedade brasileira. Na questão de proteger os empregos. Segundo, a questão fiscal. Você não pode colocar de canetada, isso aí não vai dar certo, nunca deu certo”, afirmou ao programa Correio Debate, da rádio Correio 98 FM. Segundo ele, a discussão deve considerar incentivos para preservação dos postos de trabalho e os impactos da medida sobre empresas e trabalhadores.
Cabo Gilberto também rebateu críticas recebidas durante as discussões da proposta e afirmou ter sido alvo de desinformação. “Disseram: ‘Cabo Gilberto quer PEC da escravidão, colocar o trabalhador para 52 horas’. Mas Deus é tão bom para mim que eu ando em todos os lugares. E os próprios trabalhadores falaram comigo: ‘Deputado, eu entendi o que o senhor estava falando, o senhor foi vítima de fake news’. Então a própria população saiu em nossa defesa”, declarou. O parlamentar sustentou que a proposta não ampliava a carga horária regular, mas tratava de limites relacionados às horas extras previstas na legislação.
Durante a entrevista, o deputado explicou que defendia mudanças no texto original, incluindo um período menor de transição e mecanismos para evitar aumento do desemprego. “Nós assinamos para dar seguimento ao debate. Dez anos é muito tempo. A gente defendia quatro anos. A gente defendia incentivos fiscais para os empregos serem mantidos. A nossa meta é manter os empregos”, disse. Ele também citou propostas relacionadas ao FGTS e às regras para realização de horas extras de forma voluntária pelos trabalhadores.
Questionado sobre como se posicionaria caso estivesse no Senado, Cabo Gilberto afirmou que apoiaria a tramitação da matéria para garantir a discussão, mas sem compromisso automático com o texto final. “Eu assinaria a proposta para ter o debate. Mas não necessariamente eu sou a favor 100%. É o que eu venho dizendo sempre: vamos ter o debate. Eu sei o que é ser trabalhador, eu sei o que é a pessoa trabalhar muito e receber pouco. Mas vamos aguardar os debates. Está muito quente esse debate lá no Congresso Nacional. Vamos aguardar o texto final”, declarou. Segundo ele, eventuais alterações feitas pelos senadores ainda precisariam retornar à análise da Câmara.
O parlamentar também comentou declarações do presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, sobre os reflexos eleitorais do tema. Cabo Gilberto minimizou as divergências e reforçou que sua posição sempre foi favorável à discussão da proposta. “Não teve desespero. O presidente Valdemar fala o que quiser, ele tem a opinião própria dele. Em nenhum momento eu me posicionei contra jornada de trabalho. Sempre me posicionei pela realização do debate. Isso é hipocrisia de um governo que está no poder há 20 anos e nunca pensou nisso. Isso é cortina de fumaça”, afirmou. A declaração ocorre após a Câmara aprovar, no fim de maio, o texto-base da PEC que prevê mudanças na jornada de trabalho. A proposta recebeu apoio da maioria da bancada paraibana e agora seguirá para análise do Senado Federal.
Veneziano rejeita mudanças no núcleo da PEC do fim da escala 6×1 e cobra celeridade no Senado
Veneziano prevê votação rápida no Senado e aposta em aprovação da PEC do fim da escala 6×1 até junho
Senador Efraim Filho apoia fim da escala 6×1, mas cobra debate sobre impacto econômico da medida
Cabo Gilberto Silva reage após repercussão sobre PEC do fim da escala 6×1 e critica imprensa
Saiba como votou a bancada da Paraíba na PEC do fim da escala 6×1




