Mortandade de peixes acelera ofensiva contra ligações clandestinas no Açude Velho

A mortandade de peixes que chocou Campina Grande na última semana, com a retirada de mais de dez toneladas de animais mortos, colocou o Açude Velho no centro de uma crise ambiental e política. Nesta segunda-feira (19), a Prefeitura e o Ministério Público da Paraíba (MPPB) se reuniram para discutir medidas urgentes e estruturantes diante da constatação de despejo irregular de esgoto no principal cartão-postal da cidade.

Levantamento apresentado pela gestão municipal revelou que, dos 66 imóveis fiscalizados no entorno do açude, nove foram notificados por manter ligações clandestinas de esgoto na rede de drenagem pluvial, prática que compromete diretamente a qualidade da água. Um dos casos é reincidente, segundo a Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente.

Durante o encontro com o Ministério Público, o prefeito Bruno Cunha Lima afirmou que a Prefeitura está aberta à atuação conjunta para enfrentar um problema classificado por ele como histórico. O gestor destacou que a degradação do Açude Velho não é recente, mas exige, neste momento, ações coordenadas entre os órgãos públicos. “O objetivo é um esforço concentrado para fiscalizar, identificar e coibir a destinação irregular de esgoto que há décadas impacta o açude, trazendo prejuízos ambientais e à qualidade de vida da população”, declarou.

Como resposta imediata à crise, a Prefeitura anunciou a instalação de aeradores para melhorar a oxigenação da água e tentar conter os efeitos da poluição. Segundo o secretário Dorgival Vilar, seis equipamentos já foram entregues e estão em fase final de instalação elétrica, em parceria com a Secretaria de Obras. “A expectativa é que, nas próximas horas, os aeradores entrem em funcionamento, melhorando a oxigenação, a coloração da água e, principalmente, as condições para a vida aquática”, explicou.

Fiscalização e punições

Os imóveis identificados com irregularidades serão penalizados administrativamente, com acompanhamento do Ministério Público. A gestão municipal afirma que novas fiscalizações devem ocorrer e não descarta o avanço de medidas mais rígidas para coibir a poluição no entorno do açude.

Símbolo urbano e afetivo de Campina Grande, o Açude Velho volta a expor uma ferida antiga da cidade: a convivência entre crescimento urbano desordenado, omissão histórica e a dificuldade de preservar um patrimônio ambiental que já cobra um preço alto da população.

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