Empresário Marcos Antonio, proprietário da pizzaria La Favoritta, e a advogada Raquel Dantas.

O empresário Marcos Antonio, proprietário da pizzaria La Favoritta, e a advogada Raquel Dantas divulgaram um vídeo nesta sexta-feira (27) para contestar o laudo do Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen) que aponta possível contaminação bacteriana em uma pizza consumida antes da morte de uma mulher no município.

O caso, que envolve a morte de Raíssa Meritein e um surto de intoxicação alimentar com mais de 100 pessoas atendidas, ganhou grande repercussão após a divulgação do documento técnico, que levanta suspeitas de falha na manipulação do alimento.

No entanto, a defesa do estabelecimento afirma que há inconsistências graves no processo de coleta e análise das amostras.

“Mais uma vez algo divulgado de maneira irresponsável e nós, como defesa, estamos aqui para esclarecer. Não temos medo da verdade e muito menos intenção de nos esconder de nada”, declarou a advogada.

Questionamentos sobre coleta e armazenamento

Segundo Raquel Dantas, o principal ponto de contestação está na origem e no manuseio da amostra analisada.

“Não sabemos o local, não sabemos onde foi coletado, não sabemos nenhuma informação desse pedaço de pizza. A única informação que temos é a do laudo”, afirmou.

Ela ainda destacou que o próprio documento aponta que o material estava armazenado em temperatura ambiente, o que pode comprometer o resultado.

“O laudo contém omissão técnica quanto ao tempo e ao local em que a amostra ficou exposta. Não sabemos quanto tempo ela ficou suscetível à proliferação de bactérias”, disse.

Falta de cadeia de custódia

Outro ponto levantado pela defesa é a ausência de controle sobre a chamada cadeia de custódia da prova, o que, segundo eles, compromete a credibilidade do exame.

“Não temos documentação de quem manuseou esse pedaço de pizza, como foi armazenado, transportado. Não há lacre, não há garantias mínimas. Não foi respeitada a cadeia de custódia”, criticou.

Diante disso, o empresário reforçou que não há segurança para conclusões definitivas.

“É muito cedo e no mínimo irresponsável chegar a qualquer conclusão como está sendo divulgado. No momento, existem apenas especulações”, afirmou.

Defesa contesta hipótese de contaminação

O laudo aponta que a bactéria identificada pode estar associada a ferimentos humanos, sugerindo falha de higiene. A defesa também rebateu essa hipótese.

“Nossas pizzas são produzidas com EPIs, com toucas e luvas. Além disso, são assadas a 320 graus. Bactérias comuns de ferimentos morrem quase instantaneamente”, destacou Marcos Antonio.

Falta de acesso às informações

A advogada também criticou a falta de comunicação por parte dos órgãos responsáveis.

“Tivemos conhecimento por acaso desse laudo. Não fomos oficialmente informados. Não temos acesso a relatórios, nem informações básicas”, disse.

Apesar das críticas, a defesa afirma que segue colaborando com as investigações.

“Estamos disponíveis para todo e qualquer tipo de investigação, como sempre estivemos”, reforçou.

O caso segue sob apuração da Polícia Civil e deve ter novos desdobramentos nos próximos dias, enquanto cresce a pressão por respostas sobre as circunstâncias da morte e as condições sanitárias do estabelecimento.

 

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