O vereador Roberto Cândido (União Brasil), de Junco do Seridó, voltou à tribuna da Câmara Municipal nesta quinta-feira (10) para reconhecer que errou ao defender, em discurso no último dia 3, que servidores fossem obrigados a votar na chapa apoiada pela gestão. A declaração havia provocado forte repercussão e motivado a instauração de procedimento pelo Ministério Público Eleitoral (MPE). Diante da reação, o parlamentar afirmou que utilizou expressões inadequadas e que sua fala acabou sendo interpretada de maneira diferente daquilo que pretendia dizer. Roberto também fez questão de reafirmar que defende o voto livre e o processo democrático.
“Fala que fiz recentemente acabou gerando uma interpretação muito diferente daquilo que eu quis realmente dizer. Reconheço que usei palavras inadequadas, que fui infeliz na forma que me expressei e que não tenho nenhum problema de reconhecer publicamente quando errei. Não tenho nenhum problema de dizer que errei quando disse que era obrigado o funcionário votar. Sou homem”, afirmou. O vereador explicou que sua intenção era fazer referência a servidores ocupantes de cargos comissionados, mas admitiu que a forma utilizada poderia dar margem a outra interpretação. “Poderia dar para entender a um servidor contratado que deveria votar em determinados candidatos, que alguém poderia ser obrigado a votar”, acrescentou.
Roberto negou, porém, que defenda qualquer forma de pressão ou constrangimento sobre eleitores. “Isso não representa o que penso e nem o que defendo. Nunca defendi que ninguém fosse obrigado e que pegasse chicote aqui para colocar os seus funcionários para votar. Inclusive, tem muitos que fazem isso”, declarou. Em seguida, reforçou: “O voto é livre. Cada cidadão tem o direito de escolher o candidato que quiser, de acordo com sua consciência e sua vontade. Ninguém deve ser pressionado, ameaçado ou obrigado”. O vereador ainda pediu desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas e afirmou que não há, no município, qualquer situação desse tipo.
Em nota, o prefeito de Junco do Seridó, Paulo Fragoso (PSB), também negou que tenha pressionado ou orientado servidores a votar na chapa apoiada pelo grupo político da administração. “A população de Junco do Seridó, assim como os servidores municipais, tem pleno conhecimento de que a atual Administração jamais compactuou com atos que possam constranger, intimidar ou restringir a liberdade política de qualquer cidadão”, afirmou. O procedimento instaurado no município integra um conjunto de apurações relacionadas a possíveis casos de assédio ou coação eleitoral recebidos pelo MPE em 2026. Segundo levantamento do órgão, 14 casos foram registrados neste ano, entre procedimentos já encerrados e investigações em andamento, enquanto o MP Eleitoral e o MP do Trabalho recomendaram a candidatos, partidos, coligações e federações a adoção de medidas para prevenir e combater o assédio eleitoral nas relações de trabalho durante as Eleições 2026.
Senso Crítico da FGTV traz debate sobre assédio eleitoral após fala de vereador em Junco do Seridó



