A Justiça da Paraíba prorrogou por mais 30 dias as prisões temporárias do delegado Braz Morroni, dos agentes da Polícia Civil Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba”, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, o “Mão Branca”, além de outros investigados presos durante a Operação Perfídus. A decisão, proferida pela juíza Conceição Marciscano, da 2ª Vara Regional de Garantias, atende a pedido da Polícia Civil e do Ministério Público da Paraíba (MPPB), que apontaram a necessidade de ampliar o prazo para a conclusão das investigações.
Os investigados são suspeitos de integrar uma organização criminosa que, segundo a apuração, desviava entorpecentes apreendidos, roubava drogas de traficantes para revendê-las a grupos rivais e repassava informações sigilosas a criminosos para evitar prisões. Todos permanecem custodiados na Penitenciária Especial do Valentina, em João Pessoa.
Na decisão, a magistrada considerou que o prazo inicial da prisão temporária não foi suficiente diante da complexidade da investigação. Entre os fatores destacados estão o elevado número de celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos apreendidos, que ainda passam por perícia. A Justiça também determinou que a Polícia Civil conclua os exames pendentes e apresente o relatório final do inquérito ao término do novo prazo.
A juíza também rejeitou o pedido da defesa de Braz Morroni para substituição da prisão temporária por prisão domiciliar. Os advogados alegaram que o delegado enfrenta tratamento contra um câncer e necessita de cuidados médicos específicos. No entanto, a magistrada entendeu que não foram apresentados documentos capazes de comprovar a inexistência de atendimento adequado na unidade prisional.
Apesar de negar a prisão domiciliar, a decisão determina que a direção da Penitenciária Especial do Valentina assegure ao delegado acompanhamento médico durante o período de custódia. A defesa informou que recorrerá da decisão por meio de habeas corpus, sustentando que a prisão representa constrangimento ilegal por ausência de individualização das condutas atribuídas ao investigado e pela suposta falta de elementos concretos que indiquem sua participação nos fatos apurados.
Além disso, a Justiça indeferiu os pedidos de desbloqueio de contas bancárias apresentados pelos agentes Everton Rychelyson da Silva Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito. Com a prorrogação das prisões temporárias e a manutenção das demais medidas cautelares, a Operação Perfídus segue em fase de investigação, enquanto a Polícia Civil avança na análise do material apreendido e na conclusão do inquérito.



