Há homens que constroem empresas. Outros ajudam a construir cidades. José Carlos da Silva Júnior fez os dois.
Neste centenário de seu nascimento, a Paraíba volta os olhos para a trajetória de um dos maiores empreendedores de sua história, um homem que transformou trabalho, visão e amor pela sua terra em um legado que atravessa gerações.
Mais do que o empresário que consolidou a São Braz como uma das marcas mais respeitadas do Nordeste, Zé Carlos foi um defensor apaixonado de Campina Grande e um dos grandes incentivadores do desenvolvimento econômico, social e institucional da Paraíba. Sua história se confunde com a própria história do crescimento do Estado nas últimas décadas.
Quem teve o privilégio de conviver com ele guarda não apenas a lembrança do empresário bem-sucedido, mas de um homem que gostava de compartilhar conhecimento, refletir sobre os desafios da Paraíba e discutir caminhos para um futuro melhor. Em conversas, entrevistas e encontros, suas palavras carregavam a experiência de quem viveu intensamente as transformações do Nordeste e nunca deixou de acreditar no potencial de sua gente.
Filho de uma família ligada ao setor cafeeiro, José Carlos expandiu o negócio iniciado pelo pai e fez da São Braz um símbolo de qualidade, empreendedorismo e identidade regional. Mas sua atuação jamais ficou restrita aos negócios. Sua voz tornou-se referência nos debates sobre desenvolvimento econômico, geração de empregos e fortalecimento das instituições paraibanas.
Em depoimento ao projeto Memória Globo, gravado em 2019, ele resumiu uma das marcas de sua trajetória: o amor incondicional por Campina Grande.
“Olha, sou José Carlos da Silva Júnior, empresário originário de Campina Grande, cidade onde nasci. Sempre mantive um espírito de unidade, participando de todos os eventos, de todas as entidades de classe, e, toda vida, gostei muito da minha cidade e a representei em todas as vezes que eu tive a oportunidade.”
Era um sentimento que ia além das palavras. Zé Carlos acreditava que o desenvolvimento de Campina Grande era resultado da capacidade de mobilização de seu povo. Para ele, a cidade conquistou espaço e relevância porque nunca se acomodou diante das dificuldades.
“Campina Grande era uma cidade reivindicatória em um estado pobre como a Paraíba. Se não fora o esforço que Campina Grande fez no sentido de se tornar uma cidade importante, isso não teria acontecido.”
Essa visão também esteve presente em um dos projetos mais importantes dos quais participou: a criação do Jornal da Paraíba. Ao lado de outros empresários, ajudou a fundar um veículo que se transformaria em instrumento de defesa, promoção e fortalecimento da cidade.
“Nós conseguimos reunir sete empresários e constituímos o jornal em Campina Grande, que era o Jornal da Paraíba. Esse jornal promovia a cidade e era instrumento de reivindicação, no sentido de fazer com que Campina Grande pudesse se tornar uma cidade grande. E isso, de fato, aconteceu.”
José Carlos da Silva Júnior partiu em 2021, vítima da Covid-19, deixando um vazio difícil de preencher. Mas há pessoas que não se despedem completamente. Permanecem presentes nas empresas que ergueram, nas instituições que fortaleceram, nas ideias que defenderam e nas vidas que ajudaram a transformar.
Cem anos após seu nascimento, Zé Carlos continua vivo na memória da Paraíba. Vivo no aroma do café que ajudou a levar para milhares de lares. Vivo no orgulho de Campina Grande. Vivo na história de um Estado que teve nele um de seus mais apaixonados defensores.
Porque algumas vidas terminam. Os legados, não.



