Comecei no jornalismo aos 15 anos, quando ainda se aprende mais ouvindo do que falando. Naquele tempo, já se contavam histórias sobre heróis e vilões da política, sobre homens que entravam para a vida pública por vocação… e outros por conveniência. E, curiosamente, um nome sempre surgia do mesmo lado da trincheira: o dos que fazem política por missão, não por negócio.
Falo de José Agripino Maia.
Durante toda a minha formação, ouvi incontáveis vezes uma frase de Ronaldo Cunha Lima, que nunca economizou palavras quando o assunto era caráter:
“Conheço poucos homens realmente sérios, honestos e corretos na política. José Agripino é um deles.”
Essas palavras me acompanharam por anos. Viraram quase um mantra silencioso. Mas há coisas que só se compreendem por completo quando se vive. E foi exatamente isso que aconteceu quando fiquei frente a frente com ele, em uma conversa que ultrapassou duas horas e atravessou décadas de história, decisões, escolhas e princípios.
Ali, não vi apenas um ex-senador. Vi um homem. Um ser humano inteiro. Alguém que carrega no olhar a serenidade de quem nunca precisou negociar seus valores para sobreviver na política. Alguém cuja palavra tem peso de escritura pública, porque nunca precisou desmentir a si mesmo.
José Agripino é desses raros personagens que dispensam contrato: o acordo é selado no aperto de mão e honrado no silêncio da coerência. É manso sem ser fraco, firme sem ser arrogante, simples sem ser pequeno. Simples como os grandes sabem ser.
Saí daquela conversa com a sensação de que assistia, ao vivo, ao mesmo filme que Ronaldo Cunha Lima me descreveu tantas vezes. Um filme em que a política ainda pode ser instrumento de construção, e não de destruição.
Num tempo em que a descrença virou regra, encontrar um homem assim é mais do que um privilégio: é um alento. É a prova concreta de que ainda existem reservas morais na vida pública. De que o pulso ainda pulsa.
E, para quem vive todos os dias mergulhado nesse universo duro e tantas vezes decepcionante, saber que José Agripino existe — e resiste — é uma dessas pequenas grandes certezas que renovam a fé.
Porque algumas pessoas não são apenas personagens da história.
São capítulos de honra



