Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta - Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino.

Agora Hugo Motta volta ao noticiário nacional como destaque da Folha de S.Paulo. Depois das vaias na Paraíba, durante a abertura do pré-carnaval, o foco muda, mas o incômodo permanece. Desta vez, são os números que falam. Os gastos da Câmara dos Deputados com diárias de viagens oficiais aumentaram 78% no primeiro ano da presidência de Motta.

A despesa saltou de R$ 2,1 milhões, em 2024, para R$ 3,8 milhões, em 2025. Cresceu o número de deputados beneficiados, subiu a quantidade de diárias e os destinos mais frequentes dizem muito sobre as prioridades da Casa. Londres, Roma, Genebra, Nova York e Buenos Aires lideram o ranking. Nenhuma cidade brasileira aparece entre as dez primeiras. E isso considerando apenas diárias e pequenos deslocamentos locais. As passagens aéreas ficaram fora da conta.

Viagens institucionais fazem parte da rotina parlamentar, ninguém discute. O problema é o ritmo, o volume e o momento. Enquanto o discurso público pede responsabilidade, contenção e sacrifício, a prática revela uma Câmara mais rodada pelo mundo e menos conectada com a realidade do país.

Presidir a Câmara é, acima de tudo, dar exemplo. Quando o aumento é de quase 80%, a explicação precisa ser tão grande quanto a conta. Caso contrário, a planilha acaba falando mais alto do que qualquer discurso.