Tacyana Leitão, prefeita de Bayeux.

Bayeux nunca foi cidade de terreno fácil para quem senta na cadeira principal do Centro Administrativo. Pelo contrário. A história recente do município é marcada por improvisos forçados, contas engessadas, sequestros de recursos e uma máquina pública que, por natureza, sempre exigiu mais esforço do que discurso. Governar Bayeux é, quase sempre, administrar a escassez.

É nesse cenário que o primeiro ano da gestão de Tacyana Leitão precisa ser analisado. Não houve herança confortável, nem terreno preparado. Bayeux já nasce, administrativamente falando, como uma cidade complexa, cheia de vícios antigos e limitações estruturais. A diferença está na postura adotada diante disso.

Ao invés de gastar energia explicando dificuldades — que são reais e conhecidas por qualquer gestor minimamente atento — a atual administração optou por uma estratégia menos ruidosa e mais prática: trabalho contínuo, metas realistas e foco em fazer acontecer. Em pouco tempo, obras que estavam paradas saíram do papel, projetos que pareciam improváveis começaram a andar e áreas historicamente esquecidas passaram a entrar no mapa das prioridades.

Há, também, um dado que não pode ser ignorado. Bayeux vive hoje um momento raro de conexão com Brasília. A capacidade de articulação política do deputado Felipe Leitão fez com que o município acessasse volumes de recursos federais que jamais chegaram com essa intensidade em outros períodos. Para uma cidade que depende, muitas vezes, desse oxigênio financeiro para sobreviver, isso faz toda a diferença. É daí que vêm boa parte das entregas que começam a aparecer — e das que ainda virão.

O mais curioso é que tudo isso acontece sem grandes espetáculos. Não há excesso de pirotecnia, nem culto permanente ao discurso. Há execução. Bayeux, acostumada a promessas recicladas, começa a conviver com resultados concretos, mesmo dentro de um ambiente hostil do ponto de vista fiscal e administrativo.

Claro, ainda há desafios. Talvez o maior deles seja avançar para um modelo de política menos preso ao velho pragmatismo que sempre rondou a cidade. Mas essa é uma etapa que pertence ao tempo e às escolhas futuras. O que já se pode constatar é que, em apenas um ano, a gestão atual fez mais do que muitos mandatos inteiros conseguiram entregar.

Em Bayeux, tirar leite de pedra nunca foi metáfora. Sempre foi regra. A diferença agora é que, pela primeira vez em muito tempo, alguém resolveu parar de reclamar da pedra — e começou a trabalhar nela.