O Treze Futebol Clube apresentou, nesta quinta-feira (14), novos detalhes sobre o projeto da Sociedade de Propósito Específico (SPE), aprovado recentemente pelo Conselho Deliberativo do clube.

Durante entrevista coletiva, o presidente João Paiva e o diretor das categorias de base e integrante do grupo de reestruturação, Raul Pequeno, explicaram os próximos passos do novo modelo de gestão e destacaram que o principal objetivo esportivo inicial é recolocar o Galo na Série C até 2027.

Segundo os dirigentes, a SPE foi criada como um modelo de transição para modernizar a administração do clube, ampliar receitas, atrair investidores e fortalecer o futebol profissional e as categorias de base, sem que o patrimônio do Treze seja transferido imediatamente para uma SAF.

Um dos principais projetos apresentados pela diretoria é a construção de uma arena multiuso no espaço do Estádio Presidente Vargas. O modelo prevê áreas destinadas ao lazer, convivência e exploração comercial, além do estádio voltado ao futebol.

De acordo com Raul Pequeno, a ideia é que torcedores possam aderir ao programa de sócio-legado, participando do empreendimento por meio de cotas associadas à arena.

O dirigente afirmou que o projeto arquitetônico deverá ser apresentado em breve pela diretoria, junto com os valores de adesão e participação. A expectativa é de que a arena seja construída em até três anos.

Durante a coletiva, Raul destacou que o modelo da SPE busca criar mecanismos para geração de novas receitas, principalmente diante da recuperação judicial enfrentada pelo clube. “Quando instituímos uma SPE, precisamos de parceiros. As receitas correntes do futebol não são suficientes para honrar os compromissos pretéritos”, explicou.

Segundo ele, o primeiro lote de sócios-proprietários já teve 60% das ações comercializadas antes mesmo do lançamento oficial.

O plano inicial prevê abertura de capital estimada em R$ 10 milhões ao longo do primeiro ano de operação.

Os dirigentes também detalharam a situação financeira do Treze. Conforme Raul Pequeno, a dívida do clube, estimada em cerca de R$ 36 milhões, foi renegociada com mais de 98% dos credores.

Segundo ele, o acordo garantiu um desconto aproximado de 50% nos débitos. “A dívida foi negociada com mais de 98% dos credores. Fizemos um acordo sem precedentes”, afirmou.

O clube informou ainda que pretende quitar integralmente os débitos trabalhistas de até R$ 150 mil, enquanto outras obrigações foram parceladas em prazo maior.

Na coletiva, Raul Pequeno explicou que a SPE funciona como um modelo intermediário antes de uma eventual transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). “A SPE é um modelo de transição que contempla a iniciativa empresarial, mas mantém a segurança do patrimônio na propriedade da associação”, declarou.

Segundo ele, qualquer eventual migração para SAF dependerá da valorização esportiva e financeira do clube. “A ideia é valorizar o ativo, e, em uma Série C, flertando com a Série B, fazer uma grande SAF”, acrescentou.

Os dirigentes reforçaram que, diferentemente da SAF, a SPE mantém o controle institucional nas mãos da associação do clube. “Na SAF, você vende o time para um novo proprietário. Na SPE, mantemos a governança e o controle com a associação porque a propriedade é dela”, explicou Raul.

A diretoria informou que os próximos passos incluem abertura de CNPJ, registro na Junta Comercial e na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), além da formalização dos primeiros investidores.

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