O secretário de Turismo de João Pessoa e ex-prefeito de Cabedelo, Vitor Hugo (Avante), comentou pela primeira vez as críticas feitas pelo ex-vereador da João Pessoa e ex-secretário do Procon, Helton Renê (Republicanos), que afirmou ter sido enganado durante o processo de filiação ao Avante e de articulações políticas envolvendo o partido.
Em entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, da rádio 100.5FM, Vitor Hugo afirmou que evitou tratar publicamente do tema até agora para não ampliar o debate, mas decidiu esclarecer os fatos após novos ataques feitos por Helton nas redes sociais. Segundo ele, nunca houve promessa descumprida, nem poder de decisão direta sobre cargos em João Pessoa ou Cabedelo.
De acordo com Vitor Hugo, as articulações eleitorais na Capital não passam por ele. Mesmo ocupando a presidência estadual do Avante à época, quem conduzia a formação da chapa proporcional em João Pessoa era o prefeito Cícero Lucena (MDB), com a coordenação política do Secretário de Desenvolvimento Econômico Bruno Farias (Avante). Ele explicou que sua participação se limitava a acompanhar reuniões e referendar decisões já tomadas.
Sobre o Procon de João Pessoa, Vitor Hugo afirmou que Helton Renê tinha o desejo de voltar a comandar o órgão e que, como aliado político, ele se dispôs apenas a interceder junto ao prefeito, caso o ex-vereador tivesse uma boa votação. No entanto, Helton acabou obtendo menos votos do que Júnior Pires, então adjunto do Procon, que foi mantido no cargo. “Na política, é natural que quem teve melhor desempenho eleitoral seja priorizado. Helton teve cerca de metade da votação de Júnior, e isso pesou na decisão”, explicou.
Ainda segundo Vitor Hugo, foi cogitada a possibilidade de Helton assumir o Procon de Cabedelo. Contudo, o então prefeito André Coutinho optou por nomear um vereador eleito do próprio município, como forma de fortalecer a base política local, que havia conseguido eleger todos os 15 parlamentares da Câmara Municipal.
Vitor Hugo ressaltou que, naquele momento, já não detinha mais influência direta na gestão de Cabedelo e tampouco tinha poder de decisão em João Pessoa, especialmente após o rompimento político com o ex-prefeito André Coutinho. “Como eu poderia resolver a situação de Helton sem ter a caneta nem na Capital, nem em Cabedelo?”, questionou.
O secretário também afirmou que, apesar das críticas públicas, nunca pediu a exoneração de Helton Renê da Prefeitura de João Pessoa, mesmo sendo alvo constante de ataques. Segundo ele, esse tipo de prática não faz parte de sua forma de atuar na política. “Eu poderia ter pressionado, pedido cargos, feito política rasteira, mas nunca fiz isso. Não é do meu perfil”, declarou.
Por fim, Vitor Hugo disse desejar que Helton compreenda os limites institucionais da situação e afirmou não guardar ressentimentos. “Não tenho culpa nesse processo. Desejo que ele siga a vida dele em paz, assim como eu seguirei a minha. A política precisa de maturidade”, concluiu.
O ex-prefeito reforçou que jamais prometeu cargos e que sua atuação sempre foi pautada pelo diálogo e pela transparência, destacando que cabe à sociedade avaliar quem tem razão na divergência.
Confira a entrevista com Vitor Hugo no Ô Paraíba Boa:
Divergência sobre apoio ao Governo pode dividir Vitor Hugo e Edvaldo Neto em Cabedelo



