O ex-prefeito de Cabedelo e atual secretário de Turismo de João Pessoa, Vitor Hugo (Avante), trouxe à tona bastidores sensíveis da reorganização do partido na Paraíba e revelou um acordo político envolvendo o deputado federal Hugo Motta (Republicanos) e o prefeito interino de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante), para a permanência da legenda no comando local e a manutenção da candidatura de Neto nas eleições suplementares.
Durante entrevista, Vitor Hugo afirmou que o Avante passou a ser articulado nacionalmente por Hugo Motta, em Brasília, movimento que resultou na entrega do comando estadual do partido a Jhony Bezerra, que será empossado nesta quinta-feira (29). Ao mesmo tempo, segundo ele, Edvaldo Neto permanece no Avante e assume a presidência do diretório municipal de Cabedelo, mas com condicionantes políticas.
Vitor Hugo destacou que, oficialmente, todos têm direito ao livre arbítrio dentro da política, mas ponderou que, nos bastidores, a realidade costuma ser diferente. “Livre arbítrio, livre escolha pra seguir seu pensamento, mas é política infelizmente tem gente que joga dessa forma”, afirmou.
Questionado se Edvaldo Neto estaria sendo forçado a apoiar determinadas candidaturas, Vitor disse que não houve uma cobrança direta nesse sentido, mas confirmou que houve um pedido claro relacionado ao Senado. “O que eu sei é que o Motta pelo menos solicitou a Neto, já que ele resolveu o partido para Neto, que votassem em Nabor para o Senado. Isso está claro e foi dito para mim”, revelou.
Segundo o secretário, esse apoio a Nabor Wanderley, prefeito de Patos e pai de Hugo Motta, teria sido aceito dentro do acordo. “E eu concordei até porque o meu primeiro voto é de Veneziano e o meu segundo voto já estava muito alinhado para Nabor também”, declarou, acrescentando que essa condição foi colocada de forma objetiva.
Sobre uma possível exigência de alinhamento total ao governo estadual, Vitor Hugo adotou cautela e disse não ter confirmação concreta. “Agora, em votar chapa fechada com o governo, eu não tenho essa informação concreta ainda”, ressaltou, reforçando que muitas informações ainda circulam apenas como comentários de bastidores.
Vitor Hugo também reafirmou sua aliança histórica com Edvaldo Neto e relembrou a trajetória política construída em conjunto em Cabedelo. “Neto me ajudou a construir o projeto político da minha cidade”, disse, destacando que foi ele quem escolheu Neto como um dos principais aliados desde o início de sua gestão como prefeito.
Ao detalhar a conversa que teve com Edvaldo Neto, Vitor negou que tenha havido imposição direta relacionada ao apoio ao governo estadual. Por fim, Vitor Hugo admitiu que Hugo Motta pode ter tratado outros alinhamentos diretamente com Edvaldo Neto, mas garantiu que isso não foi comunicado a ele. “É questionável que Hugo Motta, por ser do lado do governo, ele pode ter conversado com o Neto. Aí eu não sei, porque Neto não me falou”, concluiu, deixando claro que o cenário ainda segue em construção nos bastidores da política paraibana.



