Ex-prefeito de Cabedelo e secretário de turismo de João Pessoa, Victor Hugo, durante entrevista no programa Ô Paraíba Boa.

O ex-prefeito de Cabedelo e atual secretário de Turismo de João Pessoa, Victor Hugo, fez revelações contundentes sobre sua relação com o ex-aliado e ex-prefeito cassado de Cabedelo, André Coutinho, durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, nesta sexta-feira (20). Em tom emocionado, ele relembrou a trajetória política e pessoal ao lado do antigo parceiro e admitiu mágoas.

“Eu não queria falar de André por dois motivos. Primeiro, por respeito ao meu sentimento. Não por respeito a ele, que eu não tenho mais. É respeito ao meu sentimento como pessoa”, declarou. Victor afirmou que a amizade entre os dois durou 35 anos e que a relação começou ainda na juventude, quando enfrentavam dificuldades financeiras para concluir a faculdade de Direito.

O ex-prefeito revelou que André chegou a morar seis meses em sua casa e que estudaram juntos com bolsas conquistadas por articulação política no movimento estudantil. “Não tínhamos dinheiro para pagar faculdade. Nem eu, nem ele. Já viemos de famílias humildes”, contou. Segundo ele, foi a partir desse período que sua trajetória política começou a ganhar força.

Victor Hugo também afirmou que foi responsável pelos primeiros passos da carreira política de André em Cabedelo. “O primeiro emprego da vida de André quem deu foi Vitor Hugo. Ele foi meu assessor. Depois transformei André no vereador mais votado da cidade, com mais de dois mil votos”, disse. Ainda segundo ele, toda a ascensão política do ex-aliado passou diretamente por sua articulação.

Apesar das declarações firmes, Victor evitou ataques diretos, mas deixou claro o distanciamento. “A trajetória política dele toda passou por mim. Tenho muito respeito pela família e pelo sentimento que ainda tenho. Mas não me dou o direito de falar dele por causa do meu sentimento, não pelo dele”, pontuou, em tom de decepção.

Ao comentar a gestão posterior em Cabedelo, Victor foi mais incisivo e criticou o que classificou como falhas administrativas. “Gestão pública não é para todos. Todo mundo acha que pode, mas quando vai para a ponta do papel, não é assim. O erro grande da gestão passada foi viver em rede social vigiando as pessoas, em vez de vigiar a cidade”, disparou. Ele ainda classificou como “mentira” as acusações sobre interferência familiar na saúde e negou responsabilidade por eventual falta de medicamentos, atribuindo o problema à ausência de orçamento e “um pouco de incompetência” na condução administrativa.

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