O secretário do Procon-JP, Júnior Pires, comentou na noite desta sexta-feira (21) o clima de tensão que tomou conta dos bastidores da política paraibana após a disputa aberta entre os projetos do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB) e do governador João Azevêdo (PSB) para 2026. Em entrevista à Rádio 103 FM Manaíra, o auxiliar evitou tomar posição e reforçou que só definirá seu rumo político após “esgotar o diálogo” com os dois líderes.
“Tenho conversado com o prefeito Cícero, tenho conversado com o governador João, e vamos continuar conversando. A política é feita de diálogo. No momento certo, a gente vai se posicionar”, afirmou. Pires disse ainda estar focado na gestão do Procon, especialmente no período de Black Friday, Natal e Operação Verão, mas reconheceu que o cenário eleitoral deve orientar suas decisões.
As declarações de Pires vieram após um novo capítulo da crise entre PSB e MDB em João Pessoa. O vice-prefeito Leo Bezerra entregou a presidência municipal do PSB, à pedido do governador João Azevêdo, menos de 24 horas depois de participar do evento que marcou a volta de Cícero Lucena ao MDB ocasião em que o prefeito convidou publicamente o vice a se filiar ao partido.
O gesto ampliou o desconforto no Governo do Estado. Azevêdo, ao ser perguntado se acreditava que Leo pediria votos para ele e para Cícero em palanques distintos, foi categórico: “Eu duvido muito.”
Na última quarta-feira (19), o governador tentou estancar a crise. Disse que não houve qualquer interferência ou pressão para retirar Leo da presidência do PSB em João Pessoa. Segundo ele, o próprio vice-prefeito admitiu a “incompatibilidade” de comandar o partido enquanto defendia abertamente a reeleição de Cícero Lucena na capital.
Para o governador, a divergência é clara: o PSB trabalha pela pré-candidatura do vice-governador Lucas Ribeiro (PP), enquanto Leo Bezerra se alinhou a Cícero, gesto visto como quebra de unidade interna.
Com Cícero novamente no MDB e consolidando alianças, e João Azevêdo tentando reorganizar o PSB após a saída de Leo, o ambiente político da capital entrou em ebulição. Entre interlocutores dos dois grupos, já se fala em “palanques colidindo” em 2026.
Nesse contexto, o posicionamento de figuras da gestão municipal, como Júnior Pires, ganha peso nas articulações. E ele sabe disso. Por enquanto, mantém o discurso calculado: diálogo com os dois lados e foco administrativo. Mas o terreno é de disputa aberta.
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