Portal Fonte83 traz os bastidores da semana política marcada por crise envolvendo Flávio Bolsonaro

O portal Fonte83 traz o resumo político da semana e os bastidores de uma agenda agitada marcada pela repercussão do vazamento de áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PLRJ) e o empresário Daniel Vorcaro, disputas antecipadas pelas eleições de outubro, decisões da Justiça Eleitoral, movimentações na base governista, crises internas entre aliados e novos desdobramentos políticos em Cabedelo entre os dias 11 e 15 de maio de 2026.

A revelação de que recursos privados teriam sido destinados ao financiamento do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) colocou o caso no centro do debate político nacional e rapidamente provocou reações em Brasília e na Paraíba. O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDBPB) classificou o episódio como “o maior escândalo do sistema financeiro”, defendeu a instalação de uma CPI e ampliou o tom das críticas ao caso. Na mesma linha, a presidente estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) na Paraíba, deputada Cida Ramos acusou Flávio Bolsonaro de lavagem de dinheiro e disse que o país vive “o maior escândalo financeiro da história”.

Enquanto parlamentares de oposição endureciam o discurso, aliados do campo bolsonarista saíram em defesa do senador. O senador Efraim Filho (PLPB) afirmou que “não há ato de corrupção” no episódio, enquanto o vereador de João Pessoa, Carlão Pelo Bem (PL) declarou que financiamento privado “não é crime”. Já o advogado Olímpio Rocha (PSOL), pré-candidato ao Governo da Paraíba, acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo investigação após as denúncias relacionadas aos pedidos de recursos feitos ao banqueiro.

A crise também provocou desgaste dentro do próprio campo conservador. Cotado para compor uma chapa presidencial da direita em 2026, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO) criticou Flávio Bolsonaro após os áudios vazados e classificou o episódio como “um tapa na cara dos brasileiros de bem”. A reação gerou resposta imediata do senador, que acusou Zema de precipitação e disse que o governador mineiro se antecipou sem conhecer todos os detalhes do caso.

O episódio ganhou novos desdobramentos após a Polícia Federal (PF) iniciar apuração para saber se recursos negociados para o filme sobre Jair Bolsonaro também teriam sido utilizados para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos (EUA). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também entrou no debate e ironizou o caso durante agenda em São Paulo ao afirmar que “aqui não tem dinheiro do Vorcaro”.

Na Paraíba, os reflexos da crise chegaram à Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP). O vereador Marcos Henriques (PT) pediu a anulação do título de cidadão pessoense concedido a Flávio Bolsonaro e voltou a citar denúncias envolvendo “rachadão”. Ao mesmo tempo, a Câmara aprovou voto de repúdio contra o comunicador Ed Motta após declarações consideradas preconceituosas contra paraibanos.

Outro tema que movimentou os bastidores foi a sucessão estadual e a disputa por espaços na futura chapa governista. O governador Lucas Ribeiro (PP) ampliou as movimentações administrativas no governo com nomeações de ex-prefeitos para secretarias estratégicas e também oficializou Matheus Cartaxo, filho do deputado Luciano Cartaxo (Republicanos), na Secretaria de Economia Solidária.

As articulações em torno da chapa majoritária cresceram ao longo da semana. O deputado federal Murilo Galdino (Republicanos) defendeu que a composição liderada por Lucas Ribeiro seja definida até o São João. O presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), deputado Adriano Galdino (Republicanos) criticou a “queimação” precoce de nomes, enquanto o deputado estadual Wilson Filho (Republicanos) afirmou que o partido possui “múltiplos nomes” para ocupar a vaga de vice-governador. O deputado federal Damião Feliciano (União Brasil) não descartou o nome da ex-governadora Lígia Feliciano para a composição da vice e o PDT passou a defender publicamente a ex-secretária de Estado do Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS), Rafaela Camaraense como possibilidade de vice na chapa governista.

As disputas também se intensificaram entre grupos aliados. O vice-presidente da Assembleia Legislativa, deputado Felipe Leitão (MDB) acusou setores do Governo de atuarem como “milícia digital” contra o ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB) e voltou a afirmar que há uma ação coordenada para desgastar a imagem do gestor. Em outro momento da semana, o parlamentar acusou o Governo de “comprar vereadores” para enfraquecer a gestão da prefeita Tacyana Leitão (PSB), em Bayeux.

Enquanto isso, Cícero Lucena intensificou agendas pelo interior do estado. Em visitas ao Cariri e à região de Sumé, o prefeito voltou a defender um projeto de gestão “mais humana e inclusiva” e rebateu críticas relacionadas à Ponte do Futuro, afirmando que suas declarações foram mal interpretadas. O ex-governador João Azevêdo (PSB) também entrou no debate e ironizou as críticas à obra, classificando parte da repercussão como “jogada de marketing”.

As divergências na política continuaram evidentes. O prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSB) admitiu incômodo após declarações de João Azevêdo sobre apoio político para 2028 e afirmou que “não merecia esse tratamento”. Dias depois, o senador Veneziano Vital do Rêgo revelou ter autorização do vice-prefeito para anunciar apoio político em João Pessoa. Já Leo confirmou apoio ao senador, mas evitou antecipar definições sobre o segundo voto ao Senado Federal.

O cenário político também foi marcado por rompimentos e reaproximações. O suplente de senador Diego Tavares (PP) revelou bastidores do afastamento político do ex-prefeito Cícero Lucena, confirmou permanência no PP e disse que sua saída foi “a decisão mais certa”. O presidente da Fundação Desenvolvimento da Criança e do Adolescente Alice de Almeida (Fundac), Flávio Moreira expôs rompimento com o ex-secretário de Estado da Administração, Tibério Limeira após apoio do ex-secretário à vereadora Jailma Carvalho (PSB) e voltou a atacar o ex-governador Ricardo Coutinho (PT), afirmando que o ex-governador queria “continuar governando pelo CPF de João Azevêdo”.

No campo jurídico e eleitoral, a semana foi marcada por decisões importantes. A Justiça Eleitoral cassou os mandatos da prefeita e do vice-prefeito de Pitimbu por abuso de poder nas eleições de 2024. Já o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve o afastamento de Edvaldo Neto (Avante) da Prefeitura de Cabedelo.

Cabedelo, inclusive, permaneceu no centro das discussões políticas e de segurança pública após desdobramentos de investigações relacionadas ao crime organizado. O município teve rescisão de contrato com empresa investigada em operação policial, enquanto lideranças políticas comentaram denúncias do Ministério Público e vazamentos ligados às apurações eleitorais. O ex-prefeito André Coutinho (Avante) denunciou ameaças e cobrou esclarecimentos sobre o caso. Edvaldo Neto rebateu acusações sobre tentativa de influência em julgamentos eleitorais e Tibério Limeira falou em “vazamentos seletivos” e perseguição política.

Ainda na área jurídica, o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) recebeu denúncia contra o prefeito de Sapé e um ex-secretário por suposta usurpação de função pública. O TJPB também condenou a ex-prefeita de Boa Ventura por improbidade administrativa.

No Congresso Nacional e nos bastidores de Brasília, parlamentares paraibanos seguiram fortalecendo alianças e ampliando articulações. Veneziano participou do lançamento do programa nacional de combate ao crime organizado ao lado do presidente Lula, enquanto o ministro do Turismo confirmou investimento de R$ 45 milhões para os festejos juninos em mais de 70 cidades paraibanas.

A semana também foi marcada por declarações de lideranças da oposição e da direita paraibana. O ex-deputado federal Major Fábio (Novo) cobrou definição da chapa conservadora ao Senado, O deputado federal  Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara dos Deputados, recebeu título de cidadão pessoense em sessão marcada pela presença de lideranças bolsonaristas e o deputado estadual Sargento Neto (PL) voltou a comentar os movimentos políticos do grupo liderado por Efraim Filho.

No interior, prefeitos, deputados e pré-candidatos intensificaram agendas regionais e reforçaram alianças mirando 2026. O deputado estadual Eduardo Carneiro (PP) ampliou apoios no Curimataú e no Litoral Norte, o prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima (União Brasil) reafirmou apoio a Veneziano para o Senado e Diogo Cunha Lima voltou a minimizar pesquisas eleitorais, afirmando acreditar mais “na pesquisa das ruas”.

A semana terminou ainda marcada pela repercussão do assassinato do ex-candidato a prefeito de Bayeux, Glicério Feitosa, morto a tiros no bairro do Geisel, em João Pessoa, caso que repercutiu entre lideranças políticas e reforçou o clima de tensão nos bastidores da política paraibana.

Entre denúncias, cassações, articulações eleitorais, disputas internas e movimentações para este ano, o cenário político da Paraíba encerra mais uma semana de forte intensidade nos bastidores do poder. O Portal Fonte83 segue acompanhando os desdobramentos da política estadual e nacional.

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