As articulações para as eleições de 2026 dominaram os bastidores políticos da Paraíba entre os dias 15 e 19 de junho. Em uma semana marcada por pesquisas eleitorais, disputa por espaços nas chapas majoritárias, embates internos em partidos, decisões da Justiça e movimentações de lideranças governistas e oposicionistas, o cenário sucessório ganhou novos contornos. O Portal Fonte83 reuniu os principais fatos que marcaram os últimos dias e ajudam a compreender o avanço das negociações que já influenciam o tabuleiro político estadual.
No campo governista, a principal discussão continuou girando em torno da composição da chapa que poderá ser liderada pelo governador Lucas Ribeiro (PP). O Republicanos intensificou a defesa de participação na vaga de vice-governador, com declarações de Wilson Santiago, Adriano Galdino recebendo apoios indiretos de aliados e até especulações envolvendo nomes como Raniery Paulino. Ao mesmo tempo, o ex-governador João Azevêdo (PSB) indicou que a escolha deverá priorizar capacidade política e eleitoral, reduzindo o peso da tradicional divisão geográfica entre João Pessoa e Campina Grande.
A disputa pelas vagas ao Senado Federal também ganhou novos capítulos. O ex-prefeito de Patos e pré-candidato, Nabor Wanderley (Republicanos) admitiu a possibilidade de compor sua chapa com suplentes ligados às duas maiores cidades do estado, enquanto os bastidores passaram a apontar o vereador Odon Bezerra (PSB) como possível integrante da composição. O próprio parlamentar adotou cautela ao tratar do assunto, ressaltando que qualquer decisão dependerá do entendimento entre as lideranças do grupo político.
No campo da direita, as indefinições seguem presentes. O ex-deputado federal Major Fábio (Novo) demonstrou incômodo com a falta de uma posição definitiva do Partido Liberal (PL) sobre uma eventual aliança, mesmo após o ex-ministro da saúde Marcelo Queiroga declarar publicamente que pretende votar nele para a segunda vaga ao Senado. Enquanto isso, o líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva e outras lideranças bolsonaristas mantêm o discurso de que a construção de uma aliança ainda depende de discussões internas. O tema também ganhou repercussão nacional após o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, defender a união das forças de direita em um eventual segundo turno presidencial.
As pesquisas divulgadas durante a semana também alimentaram os debates eleitorais. Levantamento realizado em Campina Grande mostrou Lucas Ribeiro na liderança da disputa pelo Governo do Estado, seguido pelo ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), enquanto a corrida para o Senado apresentou Veneziano Vital do Rêgo (MDB–PB) e João Azevêdo nas primeiras posições. Os números reforçaram a importância das articulações em torno das composições de chapa, especialmente para os grupos que buscam ampliar competitividade até o início oficial da campanha.
Outro tema que dominou os bastidores foi o ambiente interno do PSB. O prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra, voltou a manifestar desconforto com os rumos adotados pela legenda e deixou claro que sua permanência no partido está diretamente ligada à relação de respeito construída com João Azevêdo. O sentimento foi reforçado por declarações de Odon Bezerra e do secretário do Procon JP, Júnior Pires, que cobraram mais diálogo e reconhecimento dentro da estrutura partidária. A saída da primeira-dama Bruna Nóbrega de cargo no Governo do Estado também gerou repercussão nos meios políticos.
Na oposição, Cícero Lucena seguiu ampliando movimentações em torno de sua pré-candidatura ao Governo. O apoio de lideranças como o ex-conselheiro Nominando Diniz continua produzindo reações no grupo governista, enquanto a presença do ex-senador Cássio Cunha Lima em agendas públicas ao lado do filho, o empresário Diogo Cunha Lima (PSD), também alimentou especulações sobre o fortalecimento da chapa oposicionista. Ao mesmo tempo, o presidente estadual do PSD e ex-deputado federal Pedro Cunha Lima defendeu que a disputa estadual não seja nacionalizada e permaneça focada nos desafios da Paraíba.
A semana também registrou importantes desdobramentos institucionais. A Justiça autorizou a retomada da CPI da Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba (Cagepa) na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP), restringindo os trabalhos às investigações relacionadas ao despejo de esgoto e efluentes no litoral da capital. No campo eleitoral, o TRE-PB condenou o ex-prefeito de Santa Rita, Emerson Panta (PP), ao pagamento de multa por gastos irregulares com publicidade institucional durante o período eleitoral de 2024, enquanto a Corte também determinou que plataformas digitais forneçam informações sobre perfis investigados por suposta disseminação de desinformação contra Cícero Lucena e Veneziano Vital.
No âmbito administrativo, a Câmara de João Pessoa aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2027 antes do recesso parlamentar e confirmou a inauguração da nova sede do Legislativo para o próximo dia 1º de julho. Já o Governo do Estado promoveu mudanças na Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico (STDE), com a nomeação do ex-prefeito de Araruna, Vital Costa para o comando da pasta e da ex-deputada federal Edna Henrique para a Secretaria Executiva de Desenvolvimento Econômico.
A semana ainda foi marcada por repercussões nacionais que alcançaram a política paraibana. Entre elas, a divulgação de reportagem envolvendo o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o Banco Master, além das declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a cúpula do G7, na França. Com o calendário eleitoral se aproximando, os movimentos observados nos últimos dias indicam que a disputa de 2026 já domina o centro das atenções da política paraibana.
Entre reacomodações partidárias, construção de alianças, definição de espaços para Senado e vice-governadoria, além de decisões judiciais e administrativas com impacto político, a semana reforçou que a corrida eleitoral de 4 de outubro já ocupa o centro do debate na Paraíba. O Portal Fonte83 segue acompanhando diariamente os bastidores do poder, as movimentações dos principais atores políticos e os desdobramentos que poderão influenciar os rumos da sucessão estadual nos próximos meses.
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