O subprocurador-geral de Justiça do Ministério Público da Paraíba (MPPB), Luis Nicomedes, afirmou nesta quarta-feira (16), durante o julgamento que analisa a possibilidade de Edvaldo Neto (Avante) retornar à Prefeitura de Cabedelo, que a ascensão do prefeito ao cargo teria representado a retomada de um suposto fluxo de recursos ilícitos para uma organização criminosa. A declaração foi feita durante a sustentação do Ministério Público no processo que tramita no Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB).
Segundo Nicomedes, o retorno de Edvaldo ao comando do município teria consolidado uma estratégia atribuída ao grupo investigado. “A materialidade do delito é viva e operante. A ascensão de Edvaldo Neto ao cargo representou a consolidação estratégica arquitetada pelo grupo criminoso para garantir o retorno do fluxo de capitais ilícitos para a facção”, afirmou o subprocurador. As declarações integram a argumentação do Ministério Público no processo e estão relacionadas às investigações da Operação Cítrico.
O representante do MPPB também contestou a tese apresentada pela defesa de Edvaldo de que o caso deveria ser analisado pela Justiça Eleitoral. Para Nicomedes, classificar o episódio dessa forma ignoraria a gravidade das suspeitas investigadas. “É manobra protelatória e exatamente o tipo de cortina de fumaça que ajuda a explicar o atual estado de descalabro administrativo e a invasão sem precedentes do crime organizado naquele município”, declarou.
Na sequência, o subprocurador afirmou que, na avaliação do Ministério Público, as suspeitas ultrapassam uma discussão relacionada ao processo eleitoral. “O crime aqui transcende, e muito, a disputa de um pleito. O que se investiga é a tentativa de instalação de um narcoestado travestido de prefeitura”, concluiu. A expressão foi utilizada por Nicomedes para caracterizar a interpretação do Ministério Público sobre o conjunto de fatos investigados.
O julgamento, que pode definir se Edvaldo Neto poderá retornar à Prefeitura de Cabedelo, foi novamente adiado nesta quarta-feira após um pedido de vista do desembargador Aluízio Bezerra. Antes disso, o desembargador Leandro dos Santos havia se declarado suspeito para participar da análise do processo, sem informar publicamente os motivos. O caso envolve ainda recursos de outros investigados na Operação Cítrico.



