O deputado estadual João Paulo Segundo rebateu, na tarde do domingo (8), a cobrança pública feita pelo colega Manoel Ludgério sobre uma suposta dívida conhecida nos bastidores políticos como “pirão”. Em vídeo publicado nas redes sociais, João Paulo afirmou não reconhecer qualquer pendência financeira e classificou a exposição como uma manobra política para desgastar sua imagem.

“Não devo a ninguém. Sou um cara pagador. Fui prefeito duas vezes, hoje sou empreendedor, tenho o nome limpo, honro meus compromissos”, declarou. O parlamentar relatou ainda que tentou contato telefônico com Ludgério para esclarecer a situação, mas não obteve retorno. “Liguei pra ele porque ele já estava provocando duas vezes. Não foi homem, foi fraco, não atendeu o telefone”, disse.

João Paulo afirmou desconhecer a origem da cobrança e ressaltou que apoiou Manoel Ludgério em duas eleições consecutivas, com cerca de três mil votos em cada uma. Segundo ele, Ludgério teria prometido uma assessoria para seu pai entre os anos de 2015 e 2020, com custo mensal de R$ 2.600, sem que houvesse qualquer questionamento financeiro nesse período. “Essa dívida eu não sei o que é que é”, afirmou.

O deputado do PP também associou a cobrança a questões eleitorais. “Ele está desesperado. Não aceitou a derrota que teve para mim. Não tenho nada a ver com a situação política que ele se encontra hoje”, disse. Apesar do tom crítico, João Paulo declarou que pretende encerrar o assunto para evitar prolongar a polêmica. “Não quero politizar essa ação. Não vou levantar defunto de caixão. Comigo o jogo é aberto e limpo”, concluiu.

A manifestação foi uma resposta direta à cobrança feita por Manoel Ludgério no sábado (7), nos comentários de um vídeo publicado por um comunicador que havia entrevistado João Paulo Segundo. Na mensagem, Ludgério afirmou ter esgotado tentativas de resolução por vias privadas. “Deputado, estou esperando o Sr. devolver o meu pirão. O Sr. é bom cobrador, mas parece ser péssimo pagador. Já fui ao seu condomínio, já pedi a alguns amigos, não obtive resposta”, escreveu, pedindo ainda que o colega colocasse “as mãos na consciência” e cumprisse o compromisso assumido.

A cobrança ganhou repercussão imediata nas redes sociais, com comentários de eleitores e agentes políticos, enquanto assessorias evitaram detalhar valores ou a origem da suposta pendência. Até o momento, não há divulgação de documentos que comprovem a existência da dívida.

O episódio também remete a uma polêmica recente envolvendo o uso do termo “pirão” na política paraibana. Semanas antes, João Paulo Segundo utilizou a mesma expressão ao cobrar o vereador campinense Pimentel Filho (PSB), após o rompimento de um acordo político firmado durante sua campanha de reeleição, exigindo a devolução do apoio concedido.

Até o fechamento desta reportagem, Manoel Ludgério não voltou a se pronunciar sobre o caso. Nos bastidores políticos, o embate é visto como mais um sinal de desgaste nas relações internas, em meio à reorganização do cenário eleitoral para os próximos meses.

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