O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, durante conversa por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta sexta-feira (13), que o Brasil não precisa de uma “classificação” internacional para combater lideranças do crime organizado. Segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), Lula destacou que o país possui instrumentos próprios para investigar, prender e combater chefes de facções criminosas e reiterou o interesse em ampliar a cooperação com os Estados Unidos na área de segurança.
A declaração ocorre após o governo norte-americano classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações criminosas terroristas estrangeiras. O governo brasileiro se posicionou contra a medida por avaliar que ela poderia abrir margem para uma eventual intervenção norte-americana no país. De acordo com a Secom, Trump recebeu positivamente a posição de Lula, se dispôs a reforçar a cooperação entre os dois países e indicou que mobilizaria integrantes de alto escalão para dar continuidade às tratativas.
Durante a ligação, que durou cerca de uma hora e 20 minutos e foi descrita pelo Palácio do Planalto como “amistosa e cordial”, os presidentes também discutiram as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Lula classificou como “infundadas” as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para as medidas e afirmou que as barreiras comerciais prejudicam as economias dos dois países.
O presidente brasileiro defendeu a continuidade das negociações e ressaltou que o diálogo é o melhor caminho para preservar as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Segundo o Planalto, Trump concordou com a necessidade de manter as relações entre os dois países e sugeriu que as equipes técnicas retomassem as reuniões o mais rapidamente possível. As justificativas norte-americanas para as tarifas envolvem temas como desmatamento, combate à corrupção, funcionamento do Pix, mercado de etanol e supostas importações relacionadas ao trabalho forçado.
Governo Trump mantém medida contra o Brasil e diz que país representa ameaça aos interesses dos EUA





