O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou, nesta quarta-feira (8), uma nota oficial em que celebra o cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã, ao mesmo tempo em que faz um apelo para que os países evitem declarações e ações que possam reacender o conflito no Oriente Médio.

O posicionamento do governo brasileiro ocorre um dia após o anúncio de uma trégua de duas semanas envolvendo a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz, rota por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo e que vinha sendo alvo de tensões após confrontos recentes.

Na nota, o Brasil afirma ver com “satisfação” a possibilidade de avanço nas negociações diplomáticas e defende a construção de um acordo mais amplo e duradouro. O Itamaraty também fez um alerta direto às partes envolvidas para que evitem tanto ações militares quanto discursos inflamatórios que possam comprometer o cessar-fogo.

“A fim de resguardar um ambiente que conduza à redução de tensões e evite nova escalada, o Brasil conclama as partes a não se engajarem em ações de natureza militar ou retórica”, diz o comunicado.

Além de apoiar a trégua, o governo brasileiro chamou atenção para a necessidade de incluir o Líbano em eventuais negociações de paz. O país vive uma grave crise humanitária agravada por ataques de Israel, que afirma ter como alvo o grupo Hezbollah, aliado do Irã.

Segundo o Itamaraty, a situação no Líbano já resultou em centenas de mortes, incluindo civis, além de deslocamento forçado de parte significativa da população. O Brasil defende que qualquer acordo duradouro na região leve em consideração esse cenário.

O contexto da crise ganhou ainda mais tensão após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que “uma civilização inteira poderia morrer” caso não houvesse acordo com o Irã. A fala gerou forte reação internacional e foi classificada por representantes iranianos como uma escalada perigosa.

Apesar do anúncio do cessar-fogo, o cenário segue instável. O Irã voltou a ameaçar romper a trégua caso ataques israelenses ao Líbano continuem, enquanto ações militares recentes mantêm o clima de incerteza na região.

Diante desse cenário, o governo brasileiro se soma à comunidade internacional ao defender a manutenção da trégua, a redução das tensões e o avanço de negociações que possam evitar um conflito de maiores proporções no Oriente Médio.

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