A escalada de tensão entre Donald Trump e o governo do Irã ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (7), com troca de ameaças e alertas diretos sobre possíveis consequências militares de grande escala.
O representante iraniano na ONU, Amir-Saeid Iravani, afirmou que Teerã não ficará “de braços cruzados” diante do que classificou como ameaças graves feitas por Trump. Segundo ele, declarações do ex-presidente americano, sugerindo que “uma civilização inteira morrerá” caso não haja acordo, configuram “incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio”.
Durante sessão do Conselho de Segurança sobre o Estreito de Ormuz, Iravani pediu que a comunidade internacional condene a retórica antes que a situação saia do controle. Ele reforçou que o Irã exercerá seu “direito inerente de autodefesa”, prometendo respostas imediatas e proporcionais a qualquer ação militar.
Pouco depois da fala, autoridades iranianas ampliaram o tom ao indicar que infraestruturas em países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein poderiam se tornar alvos em caso de escalada, recomendando que civis evitem essas áreas.
As declarações iranianas vieram após novas falas de Trump, que elevou o tom ao afirmar que “uma civilização inteira morrerá esta noite” caso o Irã não ceda às exigências dos Estados Unidos, especialmente em relação à reabertura do Estreito de Ormuz.
A região é considerada uma das mais estratégicas do planeta, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. O bloqueio parcial da rota já impacta os mercados internacionais de energia, elevando preocupações globais.
Trump também mencionou a possibilidade de um ataque “como nunca se viu antes”, reforçando que o prazo final para um acordo se encerraria ainda nesta terça-feira, no horário de Washington.
Do lado iraniano, não há sinais de recuo. O presidente Masoud Pezeshkian afirmou que milhões de cidadãos estão prontos para se sacrificar em defesa do país.
Além disso, o governo incentivou mobilizações populares, incluindo a formação de correntes humanas para proteger instalações estratégicas, como usinas de energia, prática já adotada em momentos anteriores de tensão com potências ocidentais.
As negociações seguem sem avanço concreto. Uma proposta de cessar-fogo intermediada pelo Paquistão foi rejeitada por ambos os lados, com o Irã indicando preferência por um acordo definitivo, enquanto os Estados Unidos consideraram a proposta insuficiente.
Com ameaças diretas, movimentações militares implícitas e um dos principais corredores energéticos do mundo em risco, o cenário permanece altamente instável, com potencial de impacto global nas próximas horas.
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