Na nova reportagem da série Herança e Poder, o portal Fonte83 revisita a trajetória de uma das famílias mais influentes da Paraíba, mostrando como tradição, sobrenome e articulação política se combinam para manter relevância no cenário estadual e nacional. A família Vital do Rêgo é exemplo de como grupos históricos atravessam gerações, consolidando presença em cargos estratégicos do Legislativo, Executivo e órgãos de controle.
O patriarca: Vital do Rêgo

Jonas Duarte, professor do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
A força política da família começou com Vital do Rêgo, advogado e líder político. Segundo o professor Jonas Duarte, do Departamento de História da UFPB, “a família de Vital do Rêgo vem de uma tradição rica e poderosa de Pernambuco, descendente de latifundiários como o major Veneziano. Mas Vital, diferente de outros herdeiros de oligarquias, não se apoiou apenas na fortuna familiar; ele se destacou pela cultura política e pela oratória”, revelou.
Vital construiu sua carreira a partir de sua formação em Direito e de seu envolvimento no movimento estudantil, aproximando-se da centro-esquerda, combatendo o comunismo, mas mantendo alianças com trabalhistas. “Ele pegou fama de esquerdista, mas sempre com grande capacidade de articulação”, detalhou Duarte.
Casado com Nilda Gondim, filha do ex-governador Pedro Gondim, Vital consolidou sua rede de influência. Ao longo da carreira, foi deputado estadual, deputado federal e procurador do Estado no governo Tarcísio Burity, marcando presença em Brasília e na Paraíba.
A nova geração: Vitalzinho e Veneziano
O legado continuou com Vital do Rêgo Filho, o Vitalzinho, deputado federal, senador entre 2011 e 2014 e atual ministro e presidente do Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo Duarte, “Vitalzinho era brilhante como estudante de Medicina e Direito, muito culto. Diferente de outras famílias oligárquicas, os filhos de Vital receberam uma formação intelectual consistente, algo que se refletiu na política”, explicou ao portal Fonte83.
Outro destaque é Veneziano Vital do Rêgo Segundo, atual presidente estadual do MDB, senador e ex-prefeito de Campina Grande, eleito em 2004. Duarte observa: “Veneziano não só manteve a tradição familiar, mas ampliou o prestígio político. É culto, carismático, algo raro na política paraibana, e conseguiu ser prefeito de Campina Grande, o que nem o avô ou o pai haviam conseguido”, pontuou o professor.
Veneziano também mantém a prática histórica das famílias oligárquicas: transferir prestígio a parentes, apoiando a candidatura de sua esposa, Ana Cláudia Vital (MDB), à Assembleia Legislativa. “É a lógica famílica do Nordeste: o sobrenome garante votos, independentemente do conteúdo político. Isso é triste, mas é a realidade”, afirmou Duarte.
Pamela Vital do Rêgo: renovação política
A renovação política do clã está representada por Pâmela Vital do Rêgo (MDB), neta de Vital do Rêgo e Nilda Gondim, vereadora em Campina Grande, que atua em pautas de cidadania e fortalecimento da participação feminina. Para Duarte, “há muita diferença entre o conteúdo de cada um, mas o sobrenome mantém o prestígio eleitoral. Essa é a dinâmica tradicional das famílias Rego e Cunha Lima”, cravou à reportagem do portal Fonte83.
A parceria com a família Gondim reforça a força política dos Vital do Rêgo. Nilda Gondim, ex-senadora, destacou-se na defesa de políticas sociais e direitos das mulheres, fortalecendo a rede de alianças familiares que atravessa gerações e consolida presença em Campina Grande e no estado.
A trajetória da família Vital do Rêgo evidencia como tradição, cultura política e capital eleitoral se combinam para perpetuar o poder. Duarte comenta: “Embora o sobrenome seja importante, a família também investe em formação e cultura política. Diferencia-se de outras oligarquias mais brutas e pouco instruídas. Isso contribui para a durabilidade da influência política”, ressaltou.
Hoje, com representantes em cargos municipais, estaduais e federais, os Vital do Rêgo permanecem como um dos clãs políticos mais estruturados e estratégicos do Nordeste, mantendo influência decisiva nas pautas e alianças do estado.
A série Herança e Poder seguirá no próximo fim de semana, trazendo novas histórias de famílias que moldaram e continuam moldando a política paraibana, revelando os bastidores do poder e da tradição que atravessam gerações.
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