Por mais de cinco décadas, a família Maranhão deixou marcas profundas na política da Paraíba. Da cidade de Araruna à capital João Pessoa, seu nome se tornou sinônimo de liderança e influência. A série Herança e Poder, do portal Fonte83, resgata esta trajetória, mostrando como famílias tradicionais mantêm presença política mesmo diante da ascensão de novos grupos.
O ex-governador José Targino Maranhão foi o principal nome da família. Nascido em Araruna, filho do ex-prefeito Benjamim Gomes Maranhão, iniciou sua carreira política aos 21 anos como deputado estadual, sendo considerado o mais jovem parlamentar do Brasil na época. Atuou como deputado federal constituinte, vice-governador, governador em três mandatos e senador, presidindo a Comissão de Orçamento do Congresso Nacional. Maranhão participou ativamente da Assembleia Nacional Constituinte de 1988 e se destacou por sua coerência partidária, especialmente no MDB durante a ditadura militar. Morreu aos 87 anos, em fevereiro de 2021, após 71 dias internado por complicações decorrentes da Covid-19.
Sua irmã, Wilma Targino Maranhão, marcou presença na política municipal como prefeita de Araruna por quatro mandatos, além de engajar-se em projetos sociais voltados à saúde e ao bem-estar da comunidade. Wilma Maranhão teve uma longa trajetória como filiada do MDB, legenda que permaneceu ao longo de toda a vida. Em 2013, no entanto, durante o seu quarto e último mandato como prefeita de Araruna, Wilma e José Maranhão viveram tempos de desentendimentos políticos, que culminou num afastamento entre ambos. Faleceu em outubro de 2024, aos 81 anos. Entre os filhos de Wilma, o ex-deputado federal Benjamin Gomes Maranhão Neto e a ex-deputada estadual Olenka Targino Maranhão Pedrosa seguiram os passos da família, mantendo a tradição política no município e no estado.

Jonas Duarte, professor do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Segundo o professor Jonas Duarte, mestre em Economia pela UFPB e doutor em História Econômica pela USP, “a família Maranhão ainda mantém influência, embora menor após a morte de José Maranhão e a derrota de Benjamin. Quando perdem força localmente, também diminuem sua capacidade de articular alianças com outros grupos oligárquicos do estado”, explicou.
Essa avaliação reforça a ideia de que o poder político das famílias tradicionais é altamente dependente do sucesso eleitoral e da capacidade de mobilizar redes familiares e econômicas. Mesmo em declínio, os Maranhão continuam sendo referência na política do Agreste e da Paraíba.
Além da atuação política, a família também se destaca pelo compromisso social. José Maranhão era casado com a desembargadora Maria de Fátima Bezerra Cavalcanti Maranhão, que apoiou projetos sociais e políticos da família sem atuar diretamente na política partidária.
A trajetória dos Maranhão revela não apenas a força de um clã político, mas também a transformação do cenário paraibano ao longo das últimas décadas. Do poder local à esfera federal, sua história é um exemplo de como legado familiar, articulação política e serviço público se entrelaçam na construção da memória política do estado.
A série Herança e Poder do Portal Fonte83 seguirá no próximo fim de semana, trazendo novas histórias de famílias que moldaram e continuam moldando a política paraibana.
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