Na nova reportagem da série “Herança e Poder”, o Portal Fonte83 volta ao passado para revisitar a trajetória de uma das famílias mais influentes do sertão paraibano: os Motta–Wanderley, protagonistas de uma história que atravessa décadas e molda a política regional e nacional.

Jonas Duarte, professor do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Da força econômica à ocupação contínua de cargos públicos, o clã consolidou uma estrutura de poder que, segundo especialistas, mantém elementos clássicos das antigas oligarquias nordestinas. “A essência permanece a mesma: o prestígio político que nasce do poder econômico e das redes de influência”, afirmou ao Portal Fonte83 o professor e historiador econômico Jonas Duarte, da UFPB e USP. Para ele, a família chega à atualidade com “características típicas de uma nova oligarquia estadual”.
A base dessa história remonta ao ex-deputado Edivaldo Motta, figura central na formação do grupo. Com cinco mandatos na Assembleia Legislativa e atuação na Câmara Federal entre 1987 e 1992, ele projetou o nome da família para além das fronteiras de Patos, inaugurando o ciclo de representação contínua do clã.
Com a morte do marido, em 1992, Francisca Motta assumiu o comando político da família. Vice-prefeita ainda naquele ano, tornou-se uma das parlamentares mais longevas da Paraíba, acumulando sucessivos mandatos como deputada estadual, além de chegar à Prefeitura de Patos em 2012. Sua liderança garantiu estabilidade e continuidade ao grupo, reforçando o sobrenome Motta na política estadual.
A influência ganhou novo impulso com Nabor Wanderley, resultado da união entre os Motta e os Wanderley da Nóbrega. Prefeito de Patos por vários mandatos e deputado estadual, Nabor ampliou a área de atuação da família, consolidando o controle político do município e preparando terreno para a geração seguinte.
Filho de Nabor e neto de Francisca, Hugo Motta simboliza a expansão final do clã. Eleito deputado federal aos 21 anos, tornou-se uma das lideranças mais influentes da bancada paraibana em Brasília. Em 2025, chegou ao posto de presidente da Câmara dos Deputados, o cargo mais alto já ocupado por um integrante da família, um marco que projeta Patos para o centro do debate político nacional.
Segundo o professor Jonas Duarte, o avanço do grupo reflete uma estrutura de poder que combina influência econômica, articulação com prefeitos e capacidade de intermediar obras e recursos. “É a mesma lógica dos últimos 50 anos, apenas adaptada ao cenário atual”, avalia.
Outro nome que desponta é Olívia Motta, médica e irmã de Hugo. Ela vem se aproximando da política estadual e é vista como provável sucessora de Francisca na Assembleia Legislativa, sinalizando que a dinastia ainda tem fôlego para mais capítulos.
A oligarquia que resiste ao tempo
Mesmo enfrentando críticas e denúncias ao longo de sua trajetória, a família Motta–Wanderley mantém sólida base eleitoral e presença estratégica em diversos níveis de governo. O conjunto de mandatos, municipais, estaduais e federais, revela uma das estruturas políticas mais duradouras da Paraíba.
A série “Herança e Poder” do Portal Fonte83 segue no próximo sábado, com novas histórias das famílias que moldaram, e continuam moldando, a política paraibana.
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