A temperatura política em João Pessoa voltou a subir. Nesta quarta-feira (26), durante a entrega da segunda etapa do viaduto Luciano Agra, o ex-secretário executivo da Participação Popular, Thiago Diniz, comentou sua saída da gestão municipal e admitiu que o rompimento com o prefeito Cícero Lucena (MDB) foi inevitável diante do distanciamento cada vez maior entre o grupo do prefeito e o núcleo do governador João Azevêdo (PSB).
Thiago disse ter “carinho” por Cícero, mas destacou que permanecer no cargo significaria prolongar uma situação insustentável. “Vimos pela imprensa o tensionamento entre os dois. Tentamos mediar, mas, quando ficou claro que a relação se afastava, precisávamos tomar uma decisão. Não adiantava ficar mais dois ou três meses enganando o prefeito. Tenho respeito por tudo que construímos, mas este é um momento de decisão política, e optamos por acompanhar o governador João Azevêdo de cabo a rabo”, afirmou.
O movimento ocorre após Cícero deixar o Progressistas, em setembro, e se filiar ao MDB, lançando-se como pré-candidato ao Governo da Paraíba pela oposição. Com mais de 30 anos de vida pública, o prefeito volta ao centro da disputa estadual, e sua mudança de campo político vem provocando uma onda de reposicionamentos dentro do PSB e da gestão estadual.
A tensão se ampliou com críticas de integrantes da administração municipal a aliados do governo. O deputado estadual Hervázio Bezerra (PSB) reagiu às cobranças sobre sua lealdade por declarar apoio à pré-candidatura de Cícero. Em tom firme, disse que opção política não significa traição. Antes dele, o vice-prefeito Leo Bezerra e o vereador Odon Bezerra, também do PSB, já haviam se alinhado ao prefeito, aumentando o desconforto interno. Leo, inclusive, cogita deixar o partido e aguarda uma conversa final com o governador.
Ao mesmo tempo, o MDB intensifica convites a aliados do PSB, enquanto a legenda socialista tenta reorganizar suas fileiras. Nos bastidores, avança a especulação de que o ex-deputado federal Pedro Cunha Lima (PSD) pode compor como vice na chapa de Cícero.
No campo governista, o cenário é outro. Com a previsão de que João Azevêdo deixe o cargo em abril de 2026 para disputar o Senado Federal, o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) assumirá o comando do Estado e será o candidato natural à sucessão. É nesse ambiente polarizado que rupturas, reposicionamentos e alianças inesperadas começam a ser construída a disputa que já aquece a política paraibana.
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