Durante o programa Senso Crítico da FGTV, nesta quinta-feira (10), apresentado pelo jornalista Klauber Beserra, foi debatido e feita uma análise sobre a pesquisa de intenção de voto para o Senado Federal da Paraíba. O levantamento do Instituto Data Ranking, em parceria com o Portal Fonte83, ouviu 2 mil eleitores em 80 municípios, entre os dias 5, 6 e 7 de setembro. Registrada no TRE-PB sob o número PB-09037/2026, a pesquisa apresenta João Azevêdo (PSB) na liderança do primeiro voto, com 34,8%, seguido por Veneziano Vital do Rêgo (MDB), com 13,7%, e Nabor Wanderley (Republicanos), com 9,6%. O levantamento tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Ao comentar os números, Edney Oliveira destacou que o desempenho de João Azevêdo revela a força do chamado voto de opinião e do recall acumulado durante sua trajetória política. “Primeiro que essa pesquisa coloca João Azevêdo teoricamente… porque a gente tem que lembrar que pesquisa retrata momento, mas coloca teoricamente João Azevêdo num cenário bastante confortável, num cenário de primeiro voto”, avaliou. Klauber observou que o resultado também pode estar relacionado à imagem construída por João desde o período em que integrou o governo Ricardo Coutinho e, posteriormente, durante seus dois mandatos como governador. Para Edney, “esses votos não são reflexo direto dos prefeitos que fazem campanha”, principalmente diante da complexidade do voto cruzado.
Quando o levantamento passa a considerar a segunda opção de voto, o cenário apresenta outra configuração. Veneziano aparece com 20,2%, João Azevêdo com 18,3% e Nabor Wanderley com 9,5%. “Quando se fala em primeiro voto majoritário é João Azevêdo, mas quando se fala de segundo voto, aí muda o cenário e aparece Veneziano Vital do Rêgo liderando”, destacou Klauber. Edney chamou atenção ainda para a estabilidade de Nabor, que registra praticamente o mesmo percentual nas duas perguntas. “Quando você fala de primeiro voto e de segundo, Nabor pontua praticamente a mesma coisa”, afirmou. Na soma das duas opções, João chega a 53,1%, Veneziano a 33,9% e Nabor a 19,1%.
A discussão avançou para o impacto do voto cruzado sobre a estratégia da chapa governista. Edney avaliou que o crescimento de Nabor pode depender de uma maior transferência de votos dentro das alianças construídas nos municípios. “Para Nabor crescer, João tem que perder”, afirmou, explicando que a análise é matemática e não significa uma transferência automática de votos. Klauber ponderou que existem diferentes combinações entre os eleitores João e Nabor, João e Veneziano ou Nabor e Veneziano , tornando a disputa pelas duas vagas mais aberta e menos previsível. “A eleição de João, para João ser senador, ele precisa vencer Nabor, precisa vencer Veneziano, precisa vencer Marcelo, Major, André… é uma disputa individual”, reforçou Edney.
Na parte final da análise, os jornalistas também avaliaram o cenário envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os candidatos ao Senado. Edney afirmou que Lula já teria cumprido parte de sua estratégia eleitoral ao gravar participações para o guia de Lucas Ribeiro, além de mensagens para João Azevêdo e Veneziano. “Ele não vai vir para a Paraíba para se indispor num cenário como esse de polarização”, disse. Para Edney, uma eventual visita de Lula ao Estado seria mais provável em um segundo turno, especialmente diante de uma disputa entre o campo governista e Efraim Filho. “Eu acho muito, mas muito difícil o presidente Lula estar no primeiro turno aqui na Paraíba”, concluiu.



