O ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga (PL), pré-candidato ao Senado pela Paraíba, afirmou essa semana que a polarização política no Brasil tem aprofundado hostilidades entre grupos ideológicos e influenciado diretamente o cenário eleitoral no país e no estado. Durante entrevista, Queiroga defendeu a necessidade de reduzir tensões políticas e afirmou que o país precisa “virar a página” da radicalização.
Ao comentar o atual ambiente político nacional, o ex-ministro classificou a polarização como um fenômeno global e associou o crescimento do bolsonarismo ao desgaste da política tradicional brasileira. “Essa polarização é um fenômeno mundial. O bolsonarismo é um subproduto do que os políticos fizeram com a política. A democracia brasileira está doente”, declarou.
Na entrevista ao programa CBN João Pessoa, da rádio CBN Paraíba, Queiroga citou episódios da história recente do país, lembrando prisões de ex-presidentes e processos de impeachment desde a redemocratização. Segundo ele, o Brasil precisa promover uma mudança na forma de conduzir o debate político. “É necessário fazer um ‘reset’ para começarmos de uma maneira diferente”, afirmou.
Ao falar sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Queiroga destacou o perfil de enfrentamento político do aliado e disse que esse estilo contribuiu para sua ascensão eleitoral. “Bolsonaro é um político do embate. Esse é o estilo dele de fazer política”, disse.
O ex-ministro também mencionou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao analisar a construção da polarização política no país. Segundo ele, o ambiente de divisão não começou recentemente e já se manifestava em governos anteriores.
Queiroga ainda fez referência ao ex-governador da Guanabara Carlos Lacerda, conhecido pela oposição dura ao governo Getúlio Vargas, para afirmar que o campo conservador voltou a ganhar força nos últimos anos.
Apesar das críticas ao ambiente político nacional, o pré-candidato afirmou defender o diálogo entre grupos divergentes. “No que depender de mim e do senador Flávio Bolsonaro, devemos discutir ideias de forma dura, mas sem perder a ternura”, afirmou.
Durante a entrevista, Marcelo Queiroga também rebateu a avaliação de que a Paraíba teria um eleitorado majoritariamente identificado com a esquerda. Segundo ele, o cenário político estadual é mais amplo e não pode ser analisado apenas pelos resultados presidenciais. “Eu não acho que o eleitorado da Paraíba seja de esquerda. Após 2002 houve votos nos candidatos do PT para a Presidência da República, mas apenas um município paraibano é governado pelo Partido dos Trabalhadores”, argumentou.
O ex-ministro relembrou ainda que Jair Bolsonaro venceu a disputa presidencial em João Pessoa em 2018 e classificou o resultado de 2022 como apertado no estado. Mesmo defendendo pautas conservadoras, Queiroga afirmou que pretende dialogar com diferentes segmentos do eleitorado paraibano durante a pré-campanha. “Nós queremos conversar com cada cidadão da Paraíba e apresentar as nossas propostas”, declarou.
Segundo ele, a polarização política tem levado adversários a serem tratados como inimigos, o que, na sua avaliação, prejudica o desenvolvimento do país. “Isso não é bom para o Brasil. Precisamos superar essa agenda tão polarizada para que o país consiga avançar socialmente e economicamente”, disse.
Questionado sobre a possibilidade de dialogar com eleitores que pensam diferente de sua linha ideológica, Queiroga afirmou que pretende buscar pontos de convergência. “Naturalmente eu penso de uma forma, outras pessoas pensam diferente, mas há pontos em que existem convergências”, afirmou.
Ao citar sua origem familiar ligada ao Sertão paraibano, o ex-ministro disse que pretende intensificar o diálogo com eleitores da região durante a campanha.
Queiroga também relembrou sua passagem pelo Ministério da Saúde durante a pandemia da Covid-19 e afirmou que precisou equilibrar posições divergentes dentro do governo e da sociedade. “Havia quem defendesse medicamentos, quem fosse contra, quem quisesse vacina, quem não quisesse. O presidente Bolsonaro recomendou que eu harmonizasse essas relações”, declarou.
Cardiologista de formação, o pré-candidato afirmou que pretende levar essa experiência para a disputa eleitoral. “Passei minha vida escutando o coração dos meus pacientes. Hoje quero olhar com os olhos do coração para cada paraibano”, disse.
Na reta final da entrevista, Queiroga defendeu a construção de um projeto de desenvolvimento econômico e social para a Paraíba e citou nomes como Dom Pedro II, Epitácio Pessoa e Celso Furtado ao falar sobre políticas voltadas ao Nordeste.
Ele também elogiou o senador Efraim Filho (PL), afirmando que o parlamentar tem se destacado nacionalmente no Congresso.
A declaração de Queiroga ocorre em meio ao fortalecimento das articulações para as eleições de 2026 e ao avanço das movimentações de lideranças da direita na Paraíba.



