Vice-presidente da ALPB, Deputado Felipe Leitão, durante entrevista à imprensa - Foto: Dayana Lucas.

O vice-presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), deputado Felipe Leitão (MDB), elevou o tom das críticas contra institutos de pesquisa eleitoral e defendeu uma atuação mais rigorosa da Justiça Eleitoral diante de levantamentos divulgados recentemente sobre a disputa pelo Governo da Paraíba este ano. As declarações foram dadas nesta terça-feira (12), após sessão na ALPB, em meio à repercussão de pesquisas que colocaram o ex-prefeito de João Pessoa e pré-candidato ao governo, Cícero Lucena (MDB), fora de um eventual segundo turno.

Durante entrevista à imprensa, Felipe Leitão afirmou que há suspeitas de manipulação em parte dos levantamentos divulgados no estado e disse que os números apresentados por alguns institutos não refletiriam o cenário político atual. “Cícero lidera pesquisas de intenção de voto há mais de um ano. Então, quando aparecem levantamentos completamente diferentes, isso gera questionamentos e precisa ser apurado”, declarou.

O parlamentar também cobrou uma atuação mais firme do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) diante de possíveis irregularidades metodológicas. “Se houver fraude ou manipulação, os responsáveis precisam responder por isso. Pesquisa eleitoral tem impacto direto no processo político e na percepção do eleitorado”, afirmou.

Felipe Leitão disse ainda que acompanha levantamentos internos ligados ao grupo político do MDB e alegou que parte das pesquisas divulgadas publicamente apresentaria resultados incompatíveis com o cenário identificado nos bastidores das campanhas.

Segundo ele, a divulgação de números considerados inconsistentes pode influenciar alianças políticas e o posicionamento de lideranças municipais.

As declarações ampliam a pressão política iniciada pelo próprio Cícero Lucena, que no último fim de semana pediu investigação e punição contra responsáveis por institutos de pesquisa que, segundo ele, estariam manipulando levantamentos eleitorais no estado.

O debate ganhou força após decisão do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) que suspendeu, no fim de abril, a divulgação de uma pesquisa registrada sob o número PB-06159/2026.

A liminar foi assinada pelo desembargador João Benedito da Silva, após representação apresentada pelo MDB estadual apontando inconsistências metodológicas no levantamento.

Na decisão, o magistrado identificou ausência de informações consideradas essenciais para a fiscalização da pesquisa, como a forma de coleta das entrevistas e detalhes sobre a metodologia aplicada.

O tribunal também apontou incompatibilidades entre o modelo estatístico informado e os dados efetivamente apresentados no questionário, além de fragilidades na composição da amostra.

Ao justificar a suspensão, o desembargador destacou que pesquisas eleitorais possuem influência direta sobre o ambiente político e precisam obedecer critérios rigorosos de transparência e confiabilidade previstos na legislação eleitoral.

Com a decisão, a divulgação do levantamento ficou proibida em meios de comunicação, redes sociais e demais plataformas até nova deliberação judicial. O caso segue em análise no TRE-PB e deverá receber parecer do Ministério Público Eleitoral antes do julgamento definitivo.

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