Deputado estadual Anderson Monteiro (MDB), durante sessão na ALPB.

O deputado estadual e vice-presidente do MDB na Paraíba, Anderson Monteiro, manifestou publicamente sua insatisfação com a formação da nominata do partido para as eleições de outubro deste ano. O posicionamento ocorreu nesta quarta-feira (18) e expõe tensões internas no partido, que ainda não definiu oficialmente suas estratégias para o pleito.

Monteiro criticou a formação de um “chapão” do MDB, argumentando que a montagem da chapa proporcional não respeita a estrutura já existente do partido. “Aqueles que viessem do governo, com Cícero Lucena, que foi uma grande aquisição do partido, poderiam montar uma nominata à parte. A nossa nominata já estava praticamente formada, então eu achava justo que fossem duas nominatas: uma do PSD e outra do MDB. Desde o início das discussões, sempre priorizei a nominata do MDB. Em alguns momentos, chegaram a dizer que eu estava sendo intransigente ou que não queria abrir espaço para outros colegas, mas nunca foi isso. Essa sempre foi uma decisão construída em conjunto, com o deputado Romualdo, com André Gadelha, com Tovar Correia Lima e outros integrantes do partido. O que defendíamos era que aqueles que viessem do governo, junto com Cícero Lucena, que foi uma grande aquisição para o partido, pudessem formar uma nominata à parte. Isso porque a nossa já estava praticamente estruturada. Eu achava justo que fossem duas nominatas: uma do PSD e outra do MDB. Mas, neste momento, estou sendo voto vencido. Faz parte da democracia. Eu me posiciono, outros entendem diferente e defendem que todos estejam juntos”, disse o deputado durante entrevista ao programa Correio Debate, da Rádio Correio 98FM.

Segundo Monteiro, a condução da montagem da chapa proporcional tem sido liderada pelo vice-prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSB), sem participação direta do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDBPB). “Tudo está sendo feito de forma respeitosa. O senador Veneziano não participa dessas discussões, e Leo Bezerra está coordenando o processo com diálogo. Mas, mesmo com respeito, eu discordo das estratégias que estão sendo adotadas para a chapa proporcional”, afirmou.

O parlamentar negou qualquer tentativa de diálogo com lideranças da base governista para migrar de grupo ou formar alianças externas. “Sempre existe diálogo, surgem alguns convites. Não houve nenhuma conversa com o presidente do Republicanos, Hugo Motta, nem com o Progressistas. Em absoluto, não existe qualquer diálogo nesse sentido. O que fazemos, na verdade, é acompanhar o cenário de todos os partidos. Na Assembleia, é comum estarmos com colegas analisando as contas e projeções de cada legenda. Eu sempre priorizei a nominata do MDB, mas o prazo está se afunilando e precisamos dialogar com outras siglas para avaliar qual o melhor caminho, garantindo a manutenção da vaga na Assembleia Legislativa. Sigo firme nesse propósito, conversando com os amigos do MDB e esperando que possamos chegar a uma solução. No entanto, já tivemos perdas. O deputado Dr. Romualdo, um amigo querido que participou de todas essas discussões desde o início, anunciou ontem sua filiação ao PCdoB. Quando ocorrem saídas como essa, o partido acaba perdendo espaço, o que naturalmente impacta o cenário interno. Mas isso faz parte do processo político. Vamos continuar dialogando e aguardando uma definição”, garantiu.

Monteiro também explicou que optou por não participar de uma reunião realizada na terça-feira (17) justamente por discordar do formato da nominata e da centralização das decisões. Ele defende que a nominata formada com antigos filiados do MDB seja mantida, enquanto os candidatos que chegaram junto com Cícero Lucena e alguns deputados de mandato componham uma nominata separada no PSD. “Na última terça-feira tivemos uma reunião em que ficou encaminhado que, em um próximo encontro, todos que concordassem com essa unificação estariam presentes. E eu fui claro: nunca fiz jogo duplo, nunca disse que estava de um lado enquanto articulava com outro. Por isso, optei por não ir à reunião, porque minha presença poderia ser interpretada como concordância com o modelo que está sendo construído”, destacou.

A declaração do vice-presidente do MDB expõe a disputa interna no partido e sinaliza que o caminho para as eleições pode vir acompanhado de divergências e negociações delicadas, especialmente em um contexto político marcado por alianças estratégicas entre diferentes siglas na Paraíba.

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